Mundo Operário

GREVE DOS CORREIOS

Entrevista: ecetistas terceirizados denunciam o nível da precarização imposta pelo governo e pela ECT – Correios

*Seus nomes foram alterados por questão de segurança contra o assédio moral dos patrões.

terça-feira 22 de setembro de 2015| Edição do dia

Na última sexta-feira (18/09) aconteceu o piquete na unidade CTC/CTE do Correios da região de Campinas. Tirado como uma ação unificada entre efetivos e terceirizados, veio como resposta aos atrasos dos salários dos MOTs (Mão de Obra Temporária) que já contabiliza 2 meses. O piquete que durou cerca de quatro horas sendo que grande parte dos MOTs que foram ao trabalho no dia aderiram à ação. Boa parte dos MOTs da unidade aderiram à paralização. O Esquerda Diário entrevistou dois trabalhadores terceirizados dos Correios no piquete ocorrido em frente ao CTC/CTE. A greve, que completará uma semana nessa terça-feira (22/09), foi deflagrada em 36 sindicatos e está crescendo com força nas bases.

Nesta segunda-feira (21/09) recebemos a revoltante notícia de que os MOTs que aderiram à paralização na última sexta-feira foram demitidos em claro ataque ao direto de greve.

*Seus nomes foram alterados por questão de segurança contra o assédio moral dos patrões.

Esquerda Diário: Qual a situação de vocês? Vocês estão sem receber salários? Como começou isso?
Alex*: Começou que era pra gente receber no quinto dia útil, terça-feira dia 08/09, eles chegaram aqui e fizemos uma reunião falando que iam acertar nossos direitos, tanto salário, quanto alimentação e transporte só que nada disso foi pago! Nada! Só falaram que iam pagar na sexta-feira agora, dia 18/09, só que depois jogaram pro dia 25, 26/09 falando inverdade pra gente.

ED: Qual a justificativa deles pra isso?
Alex: A agência sempre joga pros Correios e os Correios sempre jogam para as agências, [os Correios] falam que é culpa da agência, pois os Correios pagou, mas ninguém sabe onde foi parar o dinheiro, porquê o dinheiro vai para as agências né...

ED: Quanto tempo vocês estão trabalhando aqui?
Alex: A gente ta trabalhando aqui a quase 3 meses. A gente tem contrato de 6 meses.

ED: Antes disso você já tinha trabalhado aqui?
Alex: Sim, eu e a maioria do pessoal já tínhamos trabalhado aqui com outro contrato.

ED: E das outras vezes já aconteceu alguma coisa parecida?
Alex: Sempre acontece! Atrasa os salários, benefício que fala que vai cair em um dia e não cai! Cai só no outro [dia]! Sempre acontece! É sempre a mesma coisa!

ED: Como vocês fazem? Porque as contas ficam todas atrasadas.
Alex: É! Igual agora, está tudo atrasado! Tem gente que, igual eu, é pai de família, fica a com as contas todas em atraso e pra eles [Diretores e Supervisores] está tudo bem! Falam pra gente dar um jeito!

ED: É sempre a mesma empresa terceirizada que atua aqui?
Alex: Não, já passaram várias e sempre a mesma coisa!
Iraní*: Sem contar que nós fomos no Ministério do Trabalho e a agência não é nem cadastrada lá, como vamos fazer pra receber nosso FGTS gente?! A gente vai ficar sem dinheiro todo esse tempo! A gente tem filho pra criar! Conta pra pagar e o povo não paga a gente! É uma “patifaria” isso e ainda fica cobrando serviço da gente falando pra gente trabalhar! Isso aí é um absurdo! Sem dinheiro no bolso isso não tem jeito e ainda se a gente não trabalha eles querem mandar a gente embora! Como a gente vai ser mandado embora se a gente não tem pagamento dos nossos direitos?! Não vai ter recisão, FGTS, porque a agência não é nem mesmo cadastrada no Ministério do Trabalho, como vamos receber nosso FGTS e nossos direitos depois que a gente sair? Não tem jeito de trabalhar! E ainda ficam perseguindo a gente!

ED: Como são as condições de trabalho ai?
Alex: Ah... É chicote na mão! Lá só falta o chicote... A gente, tipo assim, pra eles a gente é uma outra classe, o concursado é uma classe e a gente é uma outra classe inferior, fora que as condições não são adequadas pra gente né... Não fornecem luvas que a gente precisa. A gente tem que comprar luvas, temos que tirar do bolso pra pagar a luvas, custa R$ 8,00 e a gente paga pra eles [Correios] mesmo.

ED: Há quantos trabalhadores terceirizados atualmente nessa unidade?
Alex: São 112 no CTE (Centro de Tratamento de Encomendas) e 86 ou 87 no CTC (Centro de Tratamento de Cartas) e a maioria não veio trabalhar hoje, porque não tem dinheiro pra poder trabalhar, quer dizer, temos que tirar do nosso próprio bolso pra gente poder vir trabalhar, ou seja, a gente ta pagando pra poder vir trabalhar.

ED: O que você está achando da mobilização desse ano?
Alex: Acho que tem que parar mesmo! A gente ta só reivindicando o que é de direito nosso!




Tópicos relacionados

Greve dos correios   /    Correios   /    Campinas   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar