Mundo Operário

MUNDO OPERÁRIO

Entrevista com trabalhador da Mercedes-Benz

Frente a crise pandêmica que assola o mundo, trabalhadores de todos os setores vem enfrentando o descaso das patronais e ataques brutais do governo Bolsonaro e sua corja, que objetivam seguir lucrando, mover a economia e expressando sem nenhum pudor o descaso com a classe trabalhadora.

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Muitas empresas seguem mantendo suas linhas produtivas operantes, propondo “medidas” bem intencionadas aos trabalhadores, onde em nada intencionam a saúde dos trabalhadores nem tão pouco concentram a força de trabalho para uma produção consciente voltada a equipamentos de proteção individual e coletiva, nesse marco, nós do Esquerda Diário, entrevistamos um operário da Mercedes-Benz que em meio à pandemia da COVID-19, vem enfrentando altos e baixos na multinacional, assim como todos os outros operários da planta.

Esquerda Diário: Como ficou o clima no chão de fábrica entre os trabalhadores com a chegada da Covid-19 no Brasil?

Trabalhador: Um clima de medo e incertezas, pois além da luta contra o vírus, começava a luta pelos nossos empregos.

Esquerda Diário: Chegando os primeiros casos da COVID-19 no país, qual foi a postura da patronal frente a crise? Qual foi o diálogo da mesma voltado aos operários do chão de fábrica?

Trabalhador: Enquanto estávamos trabalhando não houve nada oficial por parte da empresa, as medidas estavam sendo tomadas individualmente com base nos órgãos de comunicação e principalmente pela OMS.

Esquerda Diário: Com todo despreparo das empresas e governo, tiveram casos de contaminação na Mercedes?

Trabalhador: Houve um caso no penúltimo dia de trabalho antes da quarentena, ficamos sabendo do caso através de boletim emitido pela empresa.

Esquerda Diário: E como ficou a questão salarial dos trabalhadores?

Trabalhador: Na quarentena a empresa optou por férias coletivas, comprometendo férias vencidas e ferias q estão por vencer

Esquerda Diário: Vimos uma matéria onde a Mercedes propôs corte de salário e redução da jornada de trabalho, como foi a aceitação por parte dos trabalhadores? O Sindicato realizou assembléia? Se sim, como foi?

Trabalhador: O acordo foi feito principalmente para que não houvesse demissão, uma parte vai ter os contratos suspensos, outra redução de jornada, e todos terão redução salarial proporcional ao salário líquido. A assembleia foi feita on-line através do site do sindicato com participação de apenas 50% dos colaboradores com aprovação pela maioria, devido a estabilidade adquirida até dezembro de 2020 e tentar superar a crise.

Esquerda Diário: A Mercedes se propôs a produzir respiradores, está ocorrendo essa produção? Como está esse processo na fábrica?

Trabalhador: A empresa publicou um boletim informativo demonstrando a necessidade de voluntários para a fabricação de respiradores, porém, foram feitas seleções com base no perfil dos candidatos, o que nos faz questionar se essa era mesmo uma ação voluntária, até porque, não se teve mais notícias em relação a essa produção.

Esquerda Diário: Em linhas gerais, conte-nos como você, operário, está vendo essa crise e quais medidas do seu ponto de vista deveriam ser tomadas no combate da COVID-19.

Trabalhador: Acredito q o correto é seguir as orientações da OMS, maior autoridade de saúde mundial, sendo assim, é imprescindível adotar o isolamento social, saúde em primeiro lugar. As pessoas não podem trabalhar para salvar a economia e arriscar as suas vidas, mesmo com as medidas de segurança anunciadas, o ideal é ficar em casa.




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