Gênero e sexualidade

28S: DIA DE LUTA PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

Entrevista Luana Hansen: “A luta precisa ser diária pra ter um ventre livre de fato”

Luana Hansen é DJ MC e Produtora Musical e atua a mais de 16 anos no Movimento Hip Hop. Nessa entrevista, fala sobre a importância da luta das mulheres pelo direito ao aborto, e que essa seja uma luta de todas as pessoas.

quinta-feira 28 de setembro| Edição do dia

Foto: Renan Perobelli/ Reprodução via Facebook

Esquerda Diário: Vivemos em tempos de um governo que implementa uma intensa retirada de direitos e um Congresso que está acelerando ainda mais propostas contrárias a demandas democráticas como o direito ao aborto, visto a atual tramitação da PEC181/2015. Como você vê essa realidade?

Luana Hansen: Eu vejo um governo opressor, uma realidade que sempre vimos na periferia, onde as decisões nunca estão do nosso lado, vejo um governo ditador, é um retrocesso geral, eu só consigo ver um país sendo cada vez mais difícil de se viver, com cada vez menos opções, principalmente para as mulheres, quem dirá como eu, negra, lésbica e periférica.

ED: Qual a importância do dia 28 de setembro na luta pelo direito ao aborto e sua descriminalização?

Luana: É um dia de luta, assim como os outros 364 dias no ano, as pessoas precisam acordar para esse momento em que estamos vivendo, não se pode só lutar no dia 28, o aborto continua sendo ilegal, as mulheres continuam a morrer todos os dias sem assistência adequada (obviamente as que não são privilegiadas) porque não é novidade pra ninguém que se você tiver dinheiro você tem acesso a aborto seguro, e como esse é um "problema" da massa periférica não é de interesse mudar a situação. A luta precisa ser diária pra quem sabe um dia podermos ter um ventre livre de fato.

ED: Qual desafio enfrenta o movimento de mulheres pelo direito a decidir pelo próprio corpo e a luta pela emancipação das mulheres?

Luana: O que todos os movimentos sofrem, principalmente a falta de união, muitas mulheres ainda estão em suas bolhas de privilégio e não conseguem lutar para que sejamos todas respeitadas juntas. Os movimentos estão muito divididos, cada um com as suas causas pessoais e dores específicas, o que dilui a força que precisamos para combater de fato os nossos inimigos, que são o machismo, o racismo e o patriarcado, essa é uma luta de todas as pessoas, não só das mulheres. E enquanto não lutarmos todxs, não vejo muita saída se não continuar no discurso e vendo o país retroceder na prática.




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