Internacional

GOLPISMO NA VENEZUELA

Entre ameaças e concertos, cresce a tensão na fronteira entre Venezuela e Colômbia

Aproxima-se aquele que a oposição venezuelana considera o dia D para rachar as forças armadas e tentar uma saída golpista contra Maduro. Cruzam-se ameaças e concertos musicais para disfarçar seus objetivos e ameaças cruzadas.

sexta-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Às vésperas do #23F, recrudesceu na Venezuela o ultimato aos militares para forçar uma saída golpista contra o governo de Maduro. As declarações e ameaças foram “amenizadas” com uma série de concertos nessa sexta-feira, convocados pela oposição golpista e também pelo governo.

Um concerto para respaldar a intervenção

Sob o nome Venezuela Aid Live, a oposição montou um concerto musical na fronteira colombiana para cobertura ao que não é nem mais nem menos que uma intervenção direta contra a Venezuela.

Guaidó, apoiado pelo imperialismo estadunidense e à direita regional, decidiu utilizar demagogicamente a desesperadora situação social que vive o país para disfarçar de “ajuda humanitária” o que na verdade com o objetivo de quebrar as forças armadas e forçar uma saída golpista contra Maduro.

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Para disfarçar esse objetivo nada melhor do que um show com muitas figuras reconhecidas com supostos fins benéficos. Carlos Vives, Juan Luis Guerra, Juanes, Ricardo Montaner, Alejandro Sanz, e o “Puma” Rodríguez são alguns dos artistas que participarão do recital que foi financiado e organizado pelo multimilionário britânico Richrd Branson, dono da gravadora Virgin Records.

No encerramento, estarão presentes os presidentes da Colômbia, Iván Duque, do Chile, Sebastián Piñera, e do Paraguai, Mario Abdo, se restassem dúvidas a respeito do caráter do mesmo.

A manobra é escandalosa, e o músico Roger Waters a contestou em um vídeo, publicado na internet, desmascarando as intenções do empresário Richard Branson. “Por mais que você possa crer em seus truques, nada disso tem a ver com ajuda humanitária. Isso tem a ver com Richard Branson estar trabalhando para o plano dos Estados Unidos de tomar o controle da Venezuela. Nada do que estão promovendo tem a ver com as necessidades do povo venezuelano”.

Para além da visão de Waters sobre a situação catastrófica que vive o povo venezuelano, indulgente com Maduro, sua declaração acerca do caráter desse recital financiado por Branson para favorecer os objetivos dos EUA e da direita golpista denuncia corretamente essa grosseira manobra.

O concerto, que será realizado no lado colombiano da fronteira, contará com sua versão oficialista do lado venezuelano, mediante um recital paralelo organizado pelo governo sob o lema “Hands off Venezuela” (Tirem as mãos da Venezuela).

Aumenta a tensão

Por trás do concerto, e um dia antes da ação preparada por Guaidó com o respaldo dos EUA, o que crescem são as tensões e as ameaças ingerencistas e golpistas, cada vez mais fortes.

Na semana passada, quando Guaidó anunciou a internção de trazer à força a “ajuda humanitária”, o fez com uma pressão extrema sobre os militares para que abandonem Maduro, em troca de uma “generosa anistia”. Porém, nos dias seguintes, não só isso não ocorreu mas também a cúpula das forças armadas reafirmaram seu respaldo a Maduro.

Com a operação já lançada e sem possibilidade de voltar atrás, essa semana, redobraram-se os ultimatos e as ameaças de todo tipo para forçar uma saída golpista.

Com esse objetivo, levou-se adiante a visita do senador estadunidense republicano Marco Rubio, no fim de semana passado, na cidade fronteiriça de Cútuca, e as declarações do conselheiro de segurança nacional, John Bolton, e do próprio Trump, com mensagens diretas aos militares, para que decidam antes de sábado se irão continuar apoiando Maduro.

Oportunamente, os EUA, na quinta-feira, fizeram saber que desertou o ex-chefe da inteligência militar da Venezuela, que agora diz reconhecer Guaidó, numa tentativa de aumentar a pressão sobre a cúpula militar.

O governo Maduro, por sua vez, respondeu fechando a fronteira com o Brasil (outro dos pontos por onde a oposição pretendia que ingressasse a “ajuda”) e todo o espaço aéreo, enquanto decidia se fecharia também a fronteira com a Colômbia.

Diante da possibilidade de não conseguir seus objetivos, os EUA saíram nessa sexta-feira responsabilizando as forças armadas da Venezuela caso a ação de sábado resulte em “derramamento de sangue”, e ameaçando reagir com sanções ou repercussões contra seus familiares no exterior. Não se trata só de ameaçar os militares, mas também de abrir a possibilidade a qualquer tipo de provocações que possam efetivamente terminar em um banho de sangue.

A jornada de sábado, que elevou a tensão política, apoia-se no discurso de uma direita que, como se vê, faz uso de demandas “democráticas” mas não cessa seu chamado aos militares para que ponham “ordem”.

Guaidó e os EUA usam os padecimentos de que sofre o povo venezuelano, como resultado das políticas antipopulares de Maduro e do saque dos empresários nacionais e internacionais, para levantar de forma demagógica a entrada de “ajuda humanitária”. Um verdadeiro cavalo de Troia que esconde a intervenção imperialista e um plano econômico neoliberal, para o que as calamidades que sofrem os trabalhadores e o povo venezuelano são apenas base de manobra de seus objetivos futuros.

No Brasil, o governo Bolsonaro também é um ponto de apoio importante dessa ofensiva golpista do imperialismo estadunidense contra a Venezuela. Repudiamos as provocações de Bolsonaro que, ajoelhando-se diante do amo do norte, põe o Brasil à serviço da suposta “ajuda humanitária”, através da qual pretende aprofundar as tensões golpistas na fronteira com a Venezuela, provocações que põem em risco as vidas venezuelanas.

Atende ao explícito desejo de Trump submeter a economia venezuelana e de seu povo à sede de lucros do capital financeiro internacional e saquear o petróleo do seu país, em detrimento das vantagens que a China extrai das riquezas do país.

Ler mais: Como Maduro e o chavismo aplainaram o caminho para a ofensiva golpista do imperialismo e a da direita




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