Política

ELEIÇÕES NA CÂMARA

Entre a espada e a cruz: votações mostram diferença nula entre Lira e Rossi

Apoiadores da Reforma da Previdência, do Pacote Anticrime, do novo Marco do Saneamento, e principalmente do golpe institucional, existem diferenças nulas entre Arthur Lira e Baleia Rossi, dois defensores dos ataques contra os trabalhadores.

Babi Dellatorre

Trabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

Rodrigo Tufão

diretor do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

quinta-feira 7 de janeiro| Edição do dia

O tema das eleições para a presidência da Câmara dos deputados ocupa um espaço central no debate público das últimas semanas. Arthur Lira( Progressistas) , candidato de Bolsonaro, saiu na frente lançando sua candidatura com apoio do governo, usando dos métodos já costumeiros de comprar apoio com liberação de emendas parlamentares. Baleia Rossi(MDB) foi o candidato escolhido pelo bloco de partidos costurado por Rodrigo Maia, que abrange desde o PSL ao PT, sob o comando do atual presidente da casa conhecido por liderar o processo de aprovação da reforma da previdência na Câmara e por votar a favor do impeachment de Dilma junto com Baleia Rossi.

Setores da esquerda como o PSOL, além do PT e PCdoB, entraram no jogo de negociatas com esses políticos tradicionais da direita, que tem no seu DNA a herança da ditadura militar e mais recentemente o golpe institucional realizado em 2016. Com o argumento de ser necessário combater o candidato de Bolsonaro para garantir a democracia e um espaço para oposição na Câmara, defendem apoio à candidatura de Baleia Rossi. Ignorando que Baleia Rossi é um golpista neo liberal, que assim como Arthur Lira, votou quase todas as vezes junto com o governo na Câmara, em destaque o voto a favor da reforma da previdência, porte de armas, flexibilização das leis trabalhistas durante a pandemia, privatização do saneamento básico, entre outras maldades feitas contra o povo brasileiro nos últimos anos. Dessa forma, sustentam a fantasia de que o inimigo dos trabalhadores e da democracia é apenas Bolsonaro e deixam impunes todos os setores que apoiaram o golpe, manipularam as eleições criando as condições para Bolsonaro se eleger.

Com isso, o apoio a Baleia Rossi fortalece a estabilização desse regime podre que aprofundou a degradação da democracia e que foi instituído para avançar contra os direitos sociais e trabalhistas. Porém, não é verdade que o combate ao bolsonarismo e à direita se dá apenas dentro do parlamento. A maior força para enfrenta-los está nas ruas, nos locais de trabalho: é a força da classe trabalhadora organizada e em movimento, unificando mulheres, negras e negros e a juventude em torno de si. Como vimos hoje na invasão do Congresso dos EUA, o trumpismo – irmão imperialista do bolsonarismo – não pode ser derrotado nas urnas, mas sim nas ruas.

É urgente pensar para além dos limites da atuação parlamentar, subordinando essa atuação à imperativa necessidade de organizar os trabalhadores. Condição insubstituível para derrotar Bolsonaro e suas aspirações autoritárias, não existe atalhos. A CUT e CTB dirigem milhares de sindicatos, têm em suas bases milhões de trabalhadores, mas escolhem não mover uma palha para frear as demissões, o corte de salários, nem reverter as reformas. Pelo contrário, desde antes da pandemia, negociavam com os golpistas, como fizeram com Temer em 2017 e Rodrigo Maia, garantindo a aprovação da reforma trabalhista sem resistência dos sindicatos. Agora na crise sanitária isso se aprofunda, ao invés de lutar, os sindicatos apenas homologam as demissões dos trabalhadores e assinam acordos coletivos com grandes perdas de direitos.

Nem Baleia Rossi, nem Lira. É preciso defender sem vacilação a revogação da reforma da previdência e trabalhista; um plano de combate a pandemia que inclua a proibição das demissões, renda emergencial no valor do salário do Dieese, testes massivos para organizar racionalmente a quarentena, contratação de profissionais de saúde e para todos os serviços essenciais. Garantir aos pequenos comerciantes e trabalhadores autônomos e conta própria subsídio do Estado, perdão das dívidas e crédito barato. E para liberar verba e colocar em prática todas essas medidas de combate à pandemia, defender a anulação da lei de responsabilidade fiscal e do teto dos gastos que comprimem o orçamento público para pagar a fraudulenta dívida pública. Esse programa permitiria enfrentar a pandemia sem descarregar seus efeitos nas costas dos trabalhadores.

Para levantar esse programa é preciso romper com a estratégia de negociar com os setores que atacam os trabalhadores, combinar a atuação na Câmara com a organização dos trabalhadores num pólo de esquerda e com independência de classe, discutindo com a base de cada categoria, realizando reuniões e assembleias virtuais e presenciais para construir uma mobilização por baixo, unificando toda a classe trabalhadora, pois apenas com essa força é possível barrar os ataques, a extrema direita e combater o regime político do golpe.




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