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Entre Senado e Lava Jato, golpe avança com sucesso

Em mais um dia de julgamento, com ânimos aflorados, o circo armado pela Lava Jato e sua articulação golpista entre deputados e senadores ganha a cena novamente. Lula é indiciado em meio à consumação do golpe e o PT segue bem ensaiado no teatro da resistência.

Tatiane Lopes

Unicamp, Campinas

sábado 27 de agosto| Edição do dia

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O segundo dia de julgamento do impeachment de Dilma Rousseff no Senado começou quente. O blablablá do primeiro dia seguiu, mas este segundo teve direito a presidente do Senado vociferando sobre a “burrice sem fim” e o “hospício” que se tornara aquele palco. Renan acabou expressando um pouco como aparecem esses senhores privilegiados para a população que assiste ao drama, insano e sem nexo.

No Senado a primeira testemunha só começou a ser ouvida as 13h30 da tarde, depois de muita discussão sobre as testemunhas anteriores, se seriam ou não válidas. Do lado petista a defesa abriu mão de duas testemunhas e do lado golpista, para acelerar o processo, os senadores abriram mão de fazer perguntas às testemunhas.

A sessão será retomada neste sábado (27) e deve seguir sem parar até que o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa e o professor Ricardo Lodi, sejam ouvidos, como as últimas testemunhas. Na segunda feira Dilma comparece para sua defesa, tem direito a 30min de fala, poderá ser questionada pelos senadores e em seguida defesa e acusação tem mais 1h30 cada um para se manifestar. Na terça seguem os ritos de votação após debate entre os senadores.

Lula indiciado, mais uma coincidência da Lava Jato

Mas não foi só no Senado que o golpe demonstrou seu avanço hoje. Como já é de costume na Lava-Jato, a ordem dos acontecimentos segue uma lógica precisa e poderosa. Bem como a prisão coercitiva de Lula nas vésperas da votação na câmara, ou os vazamentos telefônicos de Lula e Dilma, hoje a justiça resolveu avançar contra o elo menos débil da cadeia petista, ou o que ainda coloca algum risco de novas instabilidades.

Não porque o PT, Lula e Dilma não serviram muito bem para pavimentar o caminho para a direita, começando a realização dos ajustes, sem poder leva-los até o fim. Não que o PT, Dilma e Lula tenham oferecido uma real resistência ao golpe em curso, muito pelo contrario, foram sempre muito diretos, criticando a Lava Jato apenas quando lhes era conveniente, declarando a responsabilidade desejável de um líder que não quer “incendiar o país” e participando até o último segundo de uma verdadeira cena, falsa, dramática de “batalhas parlamentares” com base nas negociatas de sempre.

Os rumos da Lava Jato e da crise política estão longe de se definir quando a cortina do impeachment se fechar, e para que o mesmo espetáculo não recomece o mesmo, velho, mórbido, é preciso tirar as lições da trajetória de conciliação e não combatividade do PT e construir uma alternativa independente dos trabalhadores e jovens que odeiam essa direita golpista e merecem.




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