Mundo Operário

CORONAVÍRUS: USP

Entidades sindicais e movimentos pedem a substituição da direção do Hospital Universitário da USP

Em carta aberta publicada no dia 10 de maio, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) a Associação de Docentes da USP (ADUSP), o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP) e o Coletivo Butantã na Luta (CBL) pedem a substituição da direção do Hospital Universitário da USP, na figura do superintendente do HU, Paulo Ramos Margarido. Reproduzimos o conteúdo da carta.

segunda-feira 11 de maio| Edição do dia

Pela substituição da Direção do Hospital Universitário da USP e pela adoção imediata de ações emergenciais

As Direções da Adusp, Sintusp, Simesp e Coletivo Butantã na Luta (CBL) se reuniram em 09/05 e, após avaliação das ações da Direção do HU, em especial nos últimos setenta (70) dias, decidiram solicitar à Reitoria da USP e ao Conselho Deliberativo do HU, a substituição da atual Direção e a adoção imediata de ações emergenciais.

Esta decisão se deu após inúmeras tentativas de buscar diálogo e soluções com o Superintendente do HU, Dr. Paulo Margarido, sem resultado positivo. A atual gestão é marcada desde seu início por decisões que se mostraram incapazes de contribuir para a recuperação do HU, mesmo havendo recursos e tempo suficiente para promover essa recuperação.

Os recursos adicionais para o HU, um montante de R$ 108 milhões em 3 anos (2018, 2019 e 2020) obtidos fundamentalmente por mobilização de moradoras/es do Butantã e da comunidade USP não foram aplicados no Hospital. O número de leitos em operação praticamente foi mantido, quando seria possível o hospital ter pelo menos mais 80 leitos com cerca de 20 de UTI. Poucos funcionários foram recém-contratados (40 segundo informações), quando deveriam ter sido contratados pelo menos 300 há pelo menos 6 meses.

Nesta semana de 09/05, em que a pandemia alcançou mais de 140.000 pessoas e 10 mil mortes (apesar do alto grau de subnotificação) no Brasil, com São Paulo sendo o epicentro, o Hospital Universitário da USP está despreparado para cumprir um papel efetivo durante a crise que provavelmente durará meses. Se os equívocos da gestão já eram graves as últimas ações são insustentáveis:

  • Como entender que cerca de 80 leitos ainda não tenham sido reativados? ▪ Como aceitar que ainda não tenha sido providenciado a contratação de funcionárias/os para ampliar o atendimento?
  • É inadmissível que a Direção do HU ainda não tenha agido para proteger mais de 300 funcionárias/os com mais de sessenta (60) anos, muitas/os em grupo de risco.
  • Como justificar que o HU já contabilize 40 funcionárias/os infectadas/os pela COVID19, quando a USP prevê que não sejam feitas internações de pacientes com COVID19 no HU?
  • Será que a Portaria 1046, que propagou a ideia de que o HU seria Livre de COVID19, não se equivocou em relação ao dimensionamento da necessidade de EPIs no Hospital?
  • Como admitir que o HU da USP ainda não tenha apresentado um Plano de Contingência e uma forma de comunicação transparente para todas as pessoas envolvidas, funcionárias/os do Hospital e população usuária.

Como já mencionado, não são questões novas e o agravamento ainda maior da pandemia não permite mais aguardar uma mudança de atitude da Direção do HU.

As entidades signatárias deste documento têm consciência de que a troca da Direção do HU durante esta pandemia poderia ser um elemento de perturbação, que desviaria o foco principal que é prover a máxima capacidade para atender as vítimas diretas e indiretas da COVID-19. Entretanto, a opção de manter o HU com um atendimento muito reduzido em relação à infraestrutura instalada e continuar com uma Direção que age sem transparência necessária, e expõe trabalhadoras/es a riscos muito maiores do que os já esperados é absolutamente inconcebível.

São Paulo, 10 de maio de 2020.

ADUSP, SINTUSP, SIMESP E CBL




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Hospital Univeristário da USP   /    SINTUSP   /    Associação dos Docentes da USP (Adusp)   /    Saúde   /    USP   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar