Economia

Entidades patronais saem em defesa da “governabilidade” e de um pacto pelo ajuste

sexta-feira 7 de agosto de 2015| Edição do dia

Nesta quinta (06), entidades patronais FIESP (Federação das indústrias de SP) e a FIRJAN (Federação das indústrias do RJ) divulgaram um comunicado conjunto em nome da “indústria brasileira” em apoio e em resposta a apelo de Michel Temer (PMDB), vice-presidente e articulador político de Dilma na quarta-feira.
O comunicado afirma que a situação política e econômica do país é a “mais aguda dos últimos vinte anos” e que seria preciso “colocar de lado ambições pessoais ou partidárias e mirar o interesse maior do Brasil”.

Ao governo Dilma, o chamado da patronal, é de combate à corrupção com “punições exemplares” e que o governo “faça sua parte: cortando suas próprias despesas; priorizando o investimento produtivo”. Ou seja, exigem combate à corrupção mas nenhum comentário sobre sonegação fiscal da indústria e os bilhões que o governo gastou e continua a gastar com subsídios e isenções fiscais aos grandes empresários que apresentam lucros recordes e com financiamento barato do governo Dilma pelo BNDES. Por outro lado, apela a mais ajuste, que é reforçar a política neoliberal de Dilma e Levy de privatizações (“concessões”) e flexibilizar os direitos dos trabalhadores.

A resposta da patronal, um dia após o apelo de Temer (de uma união em nome do ajuste fiscal e quando admite uma “grave” crise política se desenhando no país junto à crise econômica) e da aprovação da primeira “pauta-bomba” no Câmara (veja mais detalhes aqui ), é de redobrar os esforços pela unidade em torno do “interesse nacional maior”, que do ponto de vista dos lucros e dos ricos, é o ajuste fiscal contra os trabalhadores. Esse ajuste, como viemos denunciando desde o início do ano, são as privatizações, os cortes nos gastos sociais (como os bilhões cortados na saúde e educação) e nos direitos dos trabalhadores (MP 664 e 665, terceirização e PPE) e dos aposentados.

Todos tem acordo de que é necessário um “ajuste” contra os trabalhadores, mas nenhum deles propõe qualquer tipo de ajuste contra os capitalistas, que teria que começar pelo não pagamento da dívida pública, que segue consumindo 40% do orçamento federal.

Com este comunicado fora do “script”, a patronal mostra sua preocupação com a escalada de denúncias da Operação Lava Jato, que entra agora na fase dos políticos, em meio a um enorme desgaste de Dilma, escândalos envolvendo Cunha e possibilidade de novas denúncias que possam levar a maiores enfrentamentos entre os políticos, criando um cenário de “instabilidade” para os negócios capitalistas. A mensagem deles é clara para os políticos: não dispersemos do fundamental que é descarregar a crise sob as costas dos trabalhadores.

Veja o comunicado na íntegra:
Nota Oficial FIRJAN e FIESP em prol da governabilidade do país
Rio, 6 de agosto de 2015

A FIRJAN e a FIESP vêm a público manifestar seu apoio à proposta de união apresentada ontem pelo Vice-Presidente da República, Michel Temer. O momento é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil.
A situação política e econômica é a mais aguda dos últimos vinte anos. É vital que todas as forças políticas se convençam da necessidade de trabalhar em prol da sociedade.
O Brasil não pode se permitir mais irresponsabilidades fiscais, tributárias ou administrativas, e deve agir para manter o grau de investimento tão duramente conquistado, sob pena de colocar em risco a sobrevivência de milhares e milhares de empresas e milhões de empregos.
O povo brasileiro confiou os destinos do país a seus representantes. É hora de colocar de lado ambições pessoais ou partidárias e mirar o interesse maior do Brasil. É preciso que estes representantes cumpram seu mais nobre papel – agir em nome dos que os elegeram para defender pleitos legítimos e fundados no melhor interesse da Nação.
Ao mesmo tempo, é preciso que o governo faça sua parte: cortando suas próprias despesas; priorizando o investimento produtivo; deixando de sacrificar a sociedade com aumentos de impostos.
É fundamental ainda apoiar todas as iniciativas de combate à corrupção e punir exemplarmente todos os desvios devidamente comprovados.
É nesse sentido que a indústria brasileira se associa ao apelo de união para que o bom senso, o equilíbrio e o espírito público prevaleçam no Brasil.

Paulo Skaf Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira
Presidente da FIESP Presidente da FIRJAN




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