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Entenda o ataque de Temer a nossa aposentadoria

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

No último dia 06, Henrique Meirelles anunciou na sede da UGT o novo plano do Governo Temer para a aposentadoria. Veja os principais pontos desse ataque:

1-) Idade mínima da aposentadoria 65 anos (com regra de transição para homens com mais de 50 e com mulheres com mais de 45): Atualmente não existe idade mínima para homens e mulheres. Mas sim o fator previdenciário criado por FHC e mantido nos governos petistas, onde a soma de contribuição e idade para a aposentadoria de mulheres tem que chegar a 85 anos, e homens 95. A nova regra aprofunda o problema do fator fazendo com que homens trabalhem 12 anos a mais, e mulheres 17 anos a mais.
2-) Tempo mínimo de contribuição: Passe de 15 para 25 anos.
3-) Contribuição dos servidores públicos: Os servidores passam a contribuir com 14% do salário, ao invés dos atuais 11%.
4-) Trabalhadores Rurais: Idade mínima vai para 65 anos, com mínimo 25 de contribuição. E com a obrigatoriedade de contribuição para o INSS, muitos “Bóias-frias” não registrados, na prática perderão o direito a aposentadoria.
5-) Pensões: Corte no valor de 100 para 50% com acréscimo de 10% para cada filho.
6-) Aposentadoria especial: Previsão de cortes de direitos para trabalhadores de setores com riscos a periculosidade e insalubridade.
7-) Parlamentares, Juízes e Militares: Considerados “especiais”, por ora não há previsão de alteração.

Veja os depoimentos de trabalhadores do MRT de diversas categorias sobre o novo Plano de Temer:

“O governo alega que precisa fechar a conta. Mas por que essa conta deve ser fechada com os trabalhadores pagando por uma crise criada pelos políticos e patrões? Eles querem que nós trabalhemos até os 65 anos, mais de 1 década que antes, sendo que juízes, parlamentares e militares nem chegam aos 50 e já estão aposentados.”
Francielton- Oficial de Manutenção e cipista do pátio Jabaquara do Metro/SP.

“Querem nacionalizar o ataque aos servidores públicos, tendo como referência o pacote de maldades de Sartori (RS) e Pezão (RJ). Enquanto os parlamentares recebem somados mais de 16 milhões de reais mensais, professores como eu recebem um salário de miséria, quando não atrasados como acontecem com os colegas do RJ e no Sul. E querem ainda aumentar mais nossa contribuição? Na campanha para vereadora em Santo André levantamos bem alto um chamado a mobilização para que todo político ganhe igual a uma professora, e é esse chamado que reforçamos agora para acabar com o privilégio dos políticos e garantir nossos direitos”
Maíra Machado- Professora e candidata a vereadora mais votada da esquerda em Santo André

“O ataque à aposentadoria atinge todos os trabalhadores, mas em particular a maioria das mulheres que sofrem com a dupla jornada (trabalho doméstico após jornada). Iremos trabalhar quase 2 décadas a mais do que antes, e 5 anos a mais que os homens. Isso sem contar o corte quase pela metade das pensões. Na prática é trabalhar até morrer.”
Flávia- Professora e ex candidata a vereadora pelo PSol em Contagem.

“Não foi por acaso que o governo apresentou a proposta na sede da UGT (central sindical que apoiou o golpe institucional). O discurso da proposta e de estar aberto ao dialogo, nada mais é que uma forma de negociar com as centrais, pontos de convergência para aprovar uma reforma que tanto afetará a vida dos brasileiros. Isso mostra que o golpe tinha um alvo, e esse alvo eram os trabalhadores. E mais uma vez a burocracia sindical negocia com o governo e pactua, ao invés de mobilizar os trabalhadores. Isso no caso da UGT e Força de Paulinho, mas por outro lado por que a CUT e a CTB não rompem sua trégua com governo e fazem um chamado real de paralisações nas bases de trabalho para chamar uma assembleia constituinte que mude as regras do jogo e defenda os direitos dos trabalhadores?”
Pablito- Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP.




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