Economia

ARROZ

Enquanto trabalhador passa fome, Guedes afirma que alta do arroz é sinal bom para economia

O ministro ainda colocou a culpa do aumento dos preços no auxílio emergencial, pois os míseros 600 reais teriam sido "enxurrada de dinheiro aos mais pobres".

terça-feira 15 de setembro| Edição do dia

Foto: Marcos Corrêa/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a escalada do preço do arroz reflete um aquecimento da demanda dos mais frágeis e é mais um sinal da recuperação em "V" da economia brasileira da crise provocada pelo coronavírus. "Tem gente dizendo que a inflação dos mais pobres está subindo. O que está subindo é material de construção e alimentos, mais influenciados pelo auxílio emergencial. Na verdade, os sinais são bons, o aumento do arroz, dos alimentos, são um sinal de aquecimento da demanda."

Além de relacionar o aumento dos preços à "enxurrada de dinheiro aos mais pobres", o ministro disse que a alta também é resposta do avanço do dólar.

Segundo o ministro, a alta de preços é temporária e vai motivar um aumento da produção. "Resposta da oferta vem já e alta de preços vai se dissolver." Contudo, as informações se contradizem com as próprias declaração da líder pasta de Agricultura do governo Bolsonaro, que afirmou que os os valores dos alimentos no mercado só apresentaram um equilíbrio nas variaçõea a partir do ano que vem

Guedes ainda mencionou que o arroz está vindo de outros países. "Está vindo arroz de todo lado agora, americano, tailandês e chinês." Porém, a vinda de alimentos de fora não gera necessariamente um alívio no bolso da classe trabalhadora, porque, mesmo não cobrando a taxa de importação, o preço dos produtos importados não será tão diferente dos produtos nacionais. Apesar de o Ministro Paulo Guedes ter zerado a taxa do arroz como forma de mostrar que "está fazendo alguma coisa", as análises apontam que o preço dos alimentos vai se manter alto até o final do ano.

Uma forma possível de impedir os valores altos dos alimentos básicos é o congelamento dos preços aos níveis prévios à pandemia, o que permitiria que a população pudesse comprar. Em um cenário de crise econômica e sanitária, em que uma enorme parcela da população está desempregada ou em trabalhos precários, é um absurdo que itens básicos como o arroz tenha preços tão elevados por causa dos produtores que querem enriquecer com a alta do Dólar.

Os trabalhadores, responsáveis pela produção e distribuição desses alimentos, deveriam ter para si os armazenamentos de cereais, expropriando-os da indústria do agronegócio, que mantém esses alimentos cada vez mais inacessíveis para a população para garantir seus lucros.

Que dinâmica é essa que mantêm intactos os lucros da indústria agroexportadora e dos grandes latifundiários enquanto faz os trabalhadores e a população passarem fome? É inadmissível que um país como o Brasil, com tanta capacidade produtiva de alimento, aproveite a alta do dólar para aumentar seus lucros com a exportação. Essa alta do dólar é causada pela desvalorização do real, fruto da crise no país aprofundada pela pandemia, o que estimula essas exportações por proporcionar uma maior margem de lucro para os empresários (os quais aumentaram suas vendas em 98% desde o ano passado). É a alta das exportações que causa o desabastecimento interno, e não o auxílio emergencial, que passou longe de ser uma “enxurrada de dinheiro aos mais pobre”, como disse mentirosamente Guedes.

Letícia Parks, candidata à vereadora em São Paulo por filiação democrática do MRT pelo PSOL, junto a Bancada Revolucionária de Trabalhadores, produziu um excelente vídeo sobre isso, e chamamos todas e todos a assistir




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