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Enquanto segue a crise sanitária preocupação do mercado é manter lucros e pagamento da dívida pública

A maioria dos analistas burgueses ainda acha que recuperação será rápida, mas alguns já falam em depressão. “Segunda onda” de contágio e aumento da dívida pública são suas principais preocupações.

quinta-feira 9 de julho| Edição do dia

Embora já seja certo que a recessão deste ano será a pior desde que o Brasil tem registros, a esmagadora maioria dos economistas, políticos e da mídia burguesas continua presumindo, erroneamente, que a recuperação da economia será rápida, “em forma de V”. Essa perspectiva enganosa tem sido alentada por dados do segundo trimestre, quando houve um pequeno crescimento, após a queda vertiginosa de março, associada à crise sanitária. Porém, uma minoria já não descarta o cenário de depressão.

Duas são as preocupações desses analistas da burguesia: o equilíbrio das contas públicas, isto é, a capacidade do Estado de continuar pagando a ilegal, ilegítima e fraudulenta dívida pública, e o impacto do coronavírus em seus lucros. O medo de uma explosão social maior do que as recentes revoltas contra o racismo e a paralisação dos entregadores de aplicativos coagiu o governo a aprovar medidas como o auxílio emergencial de R$ 600,00, do qual depende, em boa medida, a popularidade declinante de Bolsonaro. Tais medidas, e a queda da arrecadação de impostos, elevaram o patamar de endividamento do Estado brasileiro a mais de 90% do PIB.

Esta elevação do endividamento público e as incertezas em torno da “agenda de reformas” poderiam provocar uma fuga de capitais, uma forma de chantagem a que o capital financeiro internacional pode submeter países dependentes e semicoloniais quando cai a rentabilidade deste grande negócio que é a dívida. O economista britânico Michael Roberts estima que, desde o início da pandemia, as economias ditas “emergentes” já foram privadas de US$ 100 bilhões desta maneira. Os fluxos de saída de capitais pressionam a um aumento dos juros, que tinham sido diminuídos para tentar evitar uma queda ainda maior da atividade econômica.

Ao G1, a Tendências Consultoria disse estimar em 40% a chance de uma depressão. Neste cenário, o PIB brasileiro despencaria 10% este ano, e não cresceria mais que 2,5%, em 2021, e 1,8%, em 2022. Em outras palavras, ocorreria uma “histerese”; o que for perdido este ano não será recuperado em muitos anos, ou até décadas. Mas o dano será ainda pior se houver uma “segunda onda” de contágio do coronavírus. Caso isto ocorra, a estimativa do BNP Paribas, um banco imperialista, é de que, além da queda de 10% este ano, 2021 também registraria uma variação negativa de 2% do PIB.

No Brasil, nem sequer a primeira onda de contágio foi contida devido ao negacionismo de Bolsonaro, enquanto os governos estaduais e municipais, a despeito de qualquer retórica oposicionista, adotam, agora, a mesma política assassina de reabertura. A pandemia pode ter gerado um revival dos anacrônicos argumentos de inspiração malthusiana, segundo os quais o vírus poderia provocar um aumento da produtividade ao diminuir a população idosa, mas o fato é que a não-adoção de qualquer medida efetiva de combate ao coronavírus, como testagens massivas, reconversão industrial, etc., agravou a própria crise econômica. Esta e a crise sanitária são ambas manifestações da irracionalidade do capitalismo.




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