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PANDEMIA

Enquanto população encara aglomerações, Maia quer salvar os lucros das empresas de transporte público

Enquanto contaminação acelera pela população seguir sem uma quantidade mais segura de transportes e trabalhadores no setor, Maia (DEM) tenta votar na câmara uma ajuda de R$ 4 bilhões para os empresários do transporte, deixando claro que para o governo o que importa são os lucros dos patrões.

quarta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

Uma ajuda de R$ 4 bilhões para os sistemas de transporte coletivo nos estados foi incluída na Medida Provisória 938/20, mas retirada após críticas de deputados. O tema passou a constar no Projeto de Lei 3909/20, do deputado Elias Vaz (PSB-GO)

O Plenário da Câmara dos Deputados se reuniram pra votar nesta tarde proposta de socorro às empresas de transporte público coletivo, por conta dos impactos da pandemia causada pelo novo coronavírus, a PL 3909/20. Socorro a essas que em meio a pandemia não colocaram um veículo a mais nas ruas, entrando em alinho com os ataques e descaso dos governadores, como João Dória que o máximo que conseguiu com seus argumentos humanitários e cheios de preocupação, foi tornar o metro o maior foco de contágio da covid-19 em SP. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, informou ontem que os parlamentares vão analisar o requerimento de urgência e votarão o tema na mesma sessão.

A proposta de Vaz, está em conjunto ao Projeto de Lei 3364/20, do deputado Fabio Schiochet, que institui regime tributário especial para empresas do transporte público urbano e metropolitano durante a pandemia de Covid-19. A sessão foi parcada para as 13h55, onde também constavam em pauta outros projetos de lei e medidas provisórias como por exemplo a MP 950/20, 951, 952 E 983, que buscam isentar os consumidores beneficiário da tarifa social de energia elétrica do pagamento da conta de luz entre 1º de abril e 30 de junho, assim como dispensa a licitação de bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da pandemia, adiando o pagamento de tributos do setor de telecomunicação e ampliar o uso da assinatura eletrônica em documentos públicos.

Rodrigo Maia, este que em discurso a TV Cultura, defendeu o golpe de 2016, os ajustes em nome de pagar a Dívida Pública, deixando bem claro que sustenta Bolsonaro no Congresso em nome do avanço das reformas contra os trabalhadores, mostra em tal medida o seu verdadeiro interesse em meio a essa pandemia, que é sustentar um genocida como Bolsonaro e manter os privilégios dos empresários, como esses das empresas de transporte.

O transporte público paulista segue sendo um dos principais focos de contágio do coronavírus, e de nada adianta todas as medidas necessárias de proteção individual se os governos e empresários deixam à sorte a saúde de milhões de usuários do transporte, não faz sentido ajudar empresas enquanto os trabalhadores e trabalhadoras seguem sendo obrigados a se expor diariamente em transportes lotados, sofrendo ataques em seus locais de trabalho, como temos acompanhado os ataques de Dória aos metroviários de São Paulo por exemplo, que em meio a pandemia, atacam os direitos e a qualidade de vida de cada trabalhador e trabalhadora do metro, assim como atacam e desprezam as vidas dos demais trabalhadores que inclusive necessitam de transporte para chegar ao trabalho e garantir sustento a sua família.

Rechaçamos qualquer medida que intente ajudar os empresários, quando as medidas direcionadas a nós trabalhadores e o conjunto da população não são eficientes e reivindicamos contratação imediata de trabalhadores para o preenchimento e ampliação do quadro de funcionários para permitir que os transportes circulem em sua capacidade máxima, seguindo todas as medidas de segurança, possibilitando mais transporte, mais contratação, para assim reduzir a lotação e garantir o atendimento eficiente da população. Garantindo toda cobertura de saúde para todos os funcionários, com igualdade de assistência entre efetivos, terceirizados e contratados com garantia de teste gratuito para todos que tenham qualquer sintoma.

Precisamos de um plano de luta, com medidas que de fato possam responder nossas necessidades ao invés de buscar a todo custo privilegiar empresas e empresários.

Nossas vidas valem mais que os lucros deles.




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