SOLIDARIEDADE

Enquanto Prefeitura fecha os olhos, professores se solidarizam com as famílias do Paissandu

A solidariedade entre os trabalhadores com a população desabrigada após o incêndio e desabamento do prédio no largo do Paissandu é o que tem mantido as vítimas ocupadas ainda que em condições bastante precárias em barracas na praça, enquanto Bruno Covas fecha os olhos para o ocorrido.

terça-feira 8 de maio| Edição do dia

Sob o silêncio do Estado e da Prefeitura de Bruno Covas, dezenas de pessoas seguem desabrigadas com o desabamento do prédio ocupado no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, após o incêndio na semana passada, conforme noticiamos aqui.
Uma semana depois do ocorrido, onde inclusive várias pessoas morreram tentando salvar umas às outras, como Ricardo, nenhuma solução por parte da Prefeitura foi oferecida aos sobreviventes.

O Esquerda Diário vem denunciando esse absurdo acidente que é resultado de uma política higienista do PSDB e do plano dos governos e dos empresários que fecham os olhos para as mazelas da vida dos trabalhadores e do povo pobre, afinal para eles suas vidas pouco valem.
O que conhece um político dos patrões, nascido em berço de ouro, sobre a vida de uma família que luta por moradia?

Na contramão da hipocrisia das autoridades a população desabrigada tem encontrado no povo trabalhador muita solidariedade e inclusive expressa claramente que sabem que do Estado não podem esperar nada.

Recolhemos relatos de duas professoras da rede pública da cidade de São Paulo que em sua escola conseguiram arrecadar doações entre os professores e trabalhadores, essa iniciativa contagiou inclusive os estudantes que escreveram cartas para as crianças e famílias que sobreviveram ao desabamento:

"Tudo muito triste, direitos humanos e ECA não existem naquele território onde estão os desabrigados do prédio e os moradores de rua numa situação desumana disputando as migalhas que são oferecidas. O que ainda nos dá esperança é entender que as pessoas que ocupam aquele espaço sabem que tem direito a moradia e acredito que é por isso que não sedem ao jogo sujo do governo que pressiona para que simplesmente saiam de lá e fiquem diluídos no meio da cidade tornando-se ainda mais invisíveis."
Vania, professora de história na rede pública.

"Barbárie define a situação dessas pessoas que estão ocupadas em frente a igreja, é muito triste e revoltante. Mulheres, bebês, crianças, idosos e famílias inteiras dormindo em barracas, passando necessidades, o pouco que tinham queimou e tudo isso enquanto a Igreja "guarda" comidas e doações recebidas por eles e fecha seus portões, vários desabrigados reclamam que não estão tendo acesso, isso é muito contraditório, um escândalo. Me chocou também que não tem se quer banheiros químicos, nenhum suporte da Prefeitura do Covas, nada... Meus alunos dividiram suas canetinhas e lápis de cor, pediram que mandássemos pras crianças da ocupação, enquanto a Prefeitura fecha os olhos. Vão deixar a situação ficar insustentável, esperar a chuva ou outro acidente para que as pessoas sejam obrigadas a sair dali. Visitar esse lugar e falar com as pessoas de lá reforçaram minhas convicções de que o capitalismo não dá mais, é preciso derrubá-lo, pois sua natureza é intrínseca a barbárie da vida da nossa classe."
Grazieli, militante do Movimento Nossa Classe Educação e professora de arte na rede pública.


Situação das famílias ocupadas no largo do Paissandu.

Iniciativas como essa têm mantido dia após dia a população que tinha naquele prédio seu único teto. A solidariedade de classe entre os trabalhadores tem sido, segundo os próprios desabrigados, um importante apoio para que resistam e exijam da Prefeitura e do Estado a garantia do direito à moradia e para isso é mais que urgente um programa de moradia que não tenha como principal objetivo enriquecer os empresários do ramo imobiliário, como foram os projetos criados pelo PT que não resolveram de fundo esse problema que assola a vida de milhares de brasileiros, mas muito eficazmente enriqueceram empresas corruptas como a Odebrecht, assim como a garantia de tratamento de saúde e psicológico, além de emprego para todos para que possam reconstruir suas vidas e viver com dignidade.

Isso tudo só é possível num momento de crise como essa onde as barbáries do capitalismo mostram sua falácia enquanto regime. Somente através de ações como a taxação das grandes fortunas, inclusive as acumuladas pela especulação imobiliária que coloca de milhares de pessoas pobres na condição de "sem tetos" sujeitas a catástrofes como essa, além do não pagamento da dívida pública - que dia após dia e ano após ano enriquece o imperialismo às custas da miséria e da carestia de vida do povo trabalhador - podem garantir mais verbas e permitir a criação de moradias para toda a população que hoje vive sem um teto.




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