Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Enquanto Bolsonaro flexibiliza porte de arma, 25% das mulheres vítimas de tiro morrem em casa

Embora os homens sejam maioria absoluta entre as vítimas de armas de fogo no País, o índice de mulheres mortas a tiros dentro de casa é quase o triplo do registrado em relação ao sexo masculino.

sexta-feira 18 de janeiro| Edição do dia

Embora os homens sejam maioria absoluta entre as vítimas de armas de fogo no País, o índice de mulheres mortas a tiros dentro de casa é quase o triplo do registrado em relação ao sexo masculino. É o que aponta levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, disponíveis no portal Datasus.

O balanço mostra que dos 46.881 homens mortos por armas de fogo em 2017, último dado disponível no sistema, 10,6% morreram dentro de casa. No caso das 2.796 mulheres mortas da mesma forma, 25% foram vitimadas em domicílio.

A diferença de locais de ocorrência de mortes de homens e mulheres reafirma estatísticas criminais já conhecidas de que boa parte dos autores de violência contra a mulher são do seu núcleo de convivência, como marido, namorado, pais, tios e vizinhos, entre outros.

A flexibilização da posse de arma no País, definido em decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na última terça-feira, 15, vai agravar o cenário e aumentar o número de feminicídios no País, o que deixa muito explícito a negligência do governo com as mulheres.

Ao contrário do que afirmou em entrevista recente o Ministro da Justiça, Sergio Moro, na qual ele naturalizou o feminicídio ao dizer que, em certos contextos “pode acontecer alguém que eventualmente assassina uma pessoa”, muitas mulheres são vítimas desse tipo bárbaro de violência. O governo Bolsonaro, ao liberar a posse de arma dentro de casa, com a conivência do seu ministro da Defesa, está gerando uma ameaça potencial ainda maior à vida das mulheres.

Moro destilou absurdos ao relativizar um assunto tão sério, mas não foi surpresa. Ao dizer que muitas vezes esse crime “é provocado por uma situação passional do momento”, ele expressa muito bem como o governo Bolsonaro lidará com a vida das mulheres.

Diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques destaca que a análise de boletins de ocorrência de violência contra a mulher mostra que armas de fogo também são usadas por um parceiro agressor para intimidar a vítima. "Nesses casos, a mulher fica com mais medo e acaba se submetendo a um relacionamento violento", diz ele.

As mulheres, que mostraram sua disposição de luta contra Bolsonaro, precisam se colocar contra esse governo que não liga para suas vidas quando relativiza o feminicídio, mas principalmente quando busca impor a sua Reforma da Previdência e diversos outros ataques aos trabalhadores e trabalhadoras. Com uma força imparável, é preciso mostrar que não vamos aceitar que esse governo além de negligenciar as mortes, organizando junto aos trabalhadores uma luta contra o feminicídio e a Reforma da Previdência, superando as velhas direções sindicais que não organiza um plano de lutas contra essa reforma, muito menos ligado às demandas mais sensíveis das mulheres, que hoje são cada vez mais proletarizadas, sobretudo quando submetidas as duplas e triplas jornadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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