Teoria

121 ANOS SEM ENGELS

Engels e a independência política dos trabalhadores

A necessária organização de um partido independente da classe operária foi um tema central da obra de Friedrich engels. Em mais um aniversário de sua morte, a atualidade de suas ideias podem ser lidas neste breve discurso que apresentamos aqui.

sexta-feira 5 de agosto| Edição do dia

São 121 anos da morte de Friedrich Engels. Reproduzimos aqui um discurso desse grande pensador e militante revolucionário, na Conferência da Primeira Internacional realizada em Londres em setembro de 1871, realizada para extrair lições da experiência da Comuna de Paris e estabelecer os passos seguintes.
O escrito recebeu o nome "Sobre a ação política da classe trabalhadora" e foi incluído nos Estatutos Gerais da Associação Internacional dos Trabalhadores, acirrando as diferenças entre as posições comunistas e anarquistas que disputavam a direção da Internacional.
No âmbito da Conferência, tanto Engels quanto Marx realizaram uma fervorosa defesa da independência política dos trabalhadores, desmascarando qualquer variante reformista. Para eles, a emancipação real e total do proletariado só podia se dar com a ação e organização política dos trabalhadores tanto a nível nacional como internacional.

"A abstenção absoluta em matéria política é impossível; por isso, todos os jornais abstencionistas fazem política. Trata-se apenas de como se faz e de qual política se faz. Quanto ao resto, para nós, a abstenção é impossível. O partido operário existe já como partido político na maior parte dos países. Não nos compete arruiná-lo, pregando a abstenção. A experiência da vida atual, a opressão política que lhes é imposta pelos governos existentes para fins quer políticos, quer sociais, forçam os operários a ocuparem-se de política, quer eles queiram quer não. Pregar-lhes a abstenção seria empurrá-los para os braços da política burguesa. Depois da Comuna de Paris, sobretudo, que pôs a ação política do proletariado na ordem do dia, a abstenção é completamente impossível.

Nós queremos a abolição das classes. Qual é o meio de chegar a ela? A dominação política do proletariado, e quando todas as partes estão de acordo com isso, pedem-nos para não nos metermos em política! Todos os abstencionistas se dizem revolucionários e mesmo revolucionários por excelência. Mas a revolução é o ato supremo da política; quem a quer tem de querer o meio, a ação política, que a prepara, que dá aos operários a educação para a revolução, e sem a qual os operários, no dia seguinte à luta, serão sempre os enganados pelos Favre e pelos Pyat. Mas a política que é reciso fazer é a política operária; é preciso que o partido operário seja constituído não como a cauda de qualquer partido burguês mas como partido independente que tem o seu objetivo, a sua política própria.

As liberdades políticas, o direito de reunião e de associação e a liberdade de imprensa, eis as nossas armas; e deveríamos cruzar os braços e abstermo-nos se as querem tirar de nós? Diz-se que todo o ato político implica que se reconheça o estado existente das coisas. Mas quando esse estado de coisas nos dá meios para protestar contra ele, usar esses meios não é reconhecer o estado de coisas existente."

Escrito em 1871.




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