Política

ELEIÇÕES 2018

Enfrentemos o plano ultraneoliberal de Bolsonaro com um programa operário para a crise

sábado 27 de outubro| Edição do dia

Nos últimos dias, as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno tiveram um ponto de inflexão: a tendência anterior de alargamento da vantagem de Bolsonaro se converteu em tendência de diminuição da brecha. Isso leva a equipe de Bolsonaro a fingir não apontar a arma das brutais reformas econômicas neoliberais contra a têmpora da classe trabalhadora.

Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão, estão numa operação especial para esconder o que prometeram até agora aos patrões: eliminar o "custo trabalhista" e tirar a "carga salarial" das costas dos empresários. Esse programa escravista de Bolsonaro é sintetizado na frase: "Os trabalhadores devem escolher: todos os direitos e nenhum emprego, ou menos direitos e algum emprego". Passa pela aplicação selvagem da reforma trabalhista de Temer, e inclui, como reiterou Mourão, a abolição do 13º.

Muitas pessoas, inclusive votantes de Bolsonaro, ainda ignoram que o programa ultraneoliberal de Paulo Guedes vai piorar as condições de vida das massas trabalhadoras a um grau superior ao que fez Temer. Isso implica salários mais baixos, fim do 13º, redução ou eliminação - em alguns casos - do direito a férias remuneradas.

Já prometeu privatizar a estratégica empresa dos Correios, uma das maiores do país.

Seu mote é "acabar com os custos trabalhistas e tirar a carga das costas dos empresários". Tanto assim que já monta uma equipe de banqueiros (Bank of America, Santander) e empresários milionários para compor parte de seu gabinete (um deles, o homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev). Esse time de capitalistas ultramilionários terá uma função especial: trucidar cada ponto dos direitos trabalhistas, acabar com a CLT, escravizar a população através da generalização da terceirização do trabalho, em especial a população negra e indígena, que Bolsonaro e Hamilton Mourão odeiam.

Com um discurso demagógico Bolsonaro esconde ser parte da mesma casta política corrupta que governa para os capitalistas (empresários, latifundiários e grandes banqueiros, que com a ajuda da grande mídia apoiam Bolsonaro), fazendo acordos com o DEM e o Centrão, lucrando com a política e aumentando exponencialmente seu patrimônio e de sua família. Basta ver que Paulo Guedes, seu favorito para a Fazenda, é denunciado pelo MPF por desvio de milhões de reais dos fundos de pensão do BNDES, enquanto seu cotado para a Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) admitiu ter recebido dinheiro de caixa 2 da JBS, comprovadamente corrupta. Nem falar de Luciano Bivar, dono do PSL, sigla que abriga Bolsonaro, que é envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro.

É impossível enfrentar este programa econômico ultraneoliberal sem atacar os capitalistas, e propor medidas concretas para que sejam os latifundiários, empresários e banqueiros os que paguem pela crise.

Um programa operário e anticapitalista que enfrente o programa ultraneoliberal do golpismo e de Bolsonaro passa pelo não pagamento da dívida pública, a estatização sob gestão dos trabalhadores e controle popular de todas as grandes empresas envolvidas em corrupção, que os Correios sejam 100% estatal e administrados pelos trabalhadores, uma Petrobras 100% estatal sob administração dos petroleiros, a proibição das demissões e a elevação do salário mínimo ao patamar exigido pelo DIEESE, repartindo as horas de trabalho entre empregados e desempregados sem redução salarial.

Diante de eleições brutalmente manipuladas, que querem impor uma mudança reacionária no regime político do país, compartilhando do ódio e da vontade de luta de todos os trabalhadores e jovens que querem derrotar Bolsonaro, acompanhamos seu voto nas urnas e votamos criticamente em Haddad.

Entretanto, lançamos esse voto crítico em Haddad sem dar nenhum apoio político ao PT, já que não compartilhamos de sua estratégia de conciliação de classes meramente eleitoral e de seu programa - que significou em tempos de crise ajustes contra os trabalhadores - completamente impotente para frear a extrema direita.

O PT de Fernando Haddad e de Lula dirige a maior central sindical do país, com milhões de filiados. Nessa situação urgente, o que a CUT e a CTB estão esperando para organizar milhares de comitês de base em todo o país para derrotar Bolsonaro, os golpistas e as reformas nas ruas e locais de trabalho? Essas centrais dirigem os sindicatos dos Correios em diversos pontos do país, por que não convocam imediatamente assembleias para que os carteiros decidam um plano de luta para enfrentar essa ameaça de privatização?

Exigimos das centrais sindicais e entidades estudantis assembleias e a construção e massificação de comitês de base para preparar um plano de luta que culmine em uma forte paralisação nacional que nos prepare para os ataques que estão por vir após as eleições, mas também todo o plano do golpe institucional. Isso significa revogar a reforma trabalhista, a PEC do teto dos gastos, a lei da terceirização irrestrita e impedir que seja aprovada a reforma da previdência e as privatizações, além do não pagamento da dívida pública fraudulenta. Essa frente única na ação permite que seja a classe trabalhadora que articule uma saída à esquerda para a crise, contra o programa ultraneoliberal de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, que impulsionamos o Esquerda Diário (com 5 milhões de acessos nos últimos 30 dias contra Bolsonaro), dedicamos todas as nossas forças para derrotar nas ruas o bolsonarismo, massificando comitês de base em todas as categorias, batalhando e exigindo à CUT e à CTB que organizem esses comitês desde já, como fizemos os professores do MRT na Apeoesp, os professores municipais enfrentando a burocracia sindical de Claudio Fonseca no SINPEEM, os trabalhadores da USP, os metroviários do Movimento Nossa Classe, e a juventude Faísca em universidades como na USP, Unicamp e PUC-SP.

Temos que nos organizar desde cada local de trabalho e estudo, construindo uma grande força anticapitalista, capaz de fazer pela via da luta de classes com que sejam os capitalistas aqueles que paguem por essa crise.




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