Política

BRASIL-ALEMANHA

Encontro Econômico Brasil-Alemanha: o Brasil e o RN à venda

Nos dias 15 e 17 de setembro ocorreu o Encontro Econômico Brasil - Alemanha em Natal, capital do Rio Grande e do Norte. Com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão e da governadora Fátima Bezerra (PT), não faltaram elogios às riquezas do Brasil e do Rio Grande do Norte colocados à disposição do imperialismo alemão.

domingo 29 de setembro| Edição do dia

O Encontro Econômico Brasil-Alemanha acontece anualmente e tem como objetivo “criar diálogo” para “oportunidades de negócio” entre ambos países, ou seja, angariar novas oportunidades de geração de lucro. Em meio à crise capitalista, isso significou discutir formas de submeter ainda mais os países da América Latina aos imperialismos europeus, como a proposta bolsonarista de acordo entre a União Europeia e o Mercosul, uma espécie de novo Tratado de Tordesilhas, onde o que vale é pagar o mínimo possível para explorar o país.

A Deutsche Welle dá destaque às “tensões” políticas do encontro, baseando-se na demagogia do governo alemão frente às queimadas na Amazônia e aos comentários que remarcaram preocupação ambiental e social. Dieter Kemp, Presidente da Federação das Indústrias alemãs, principal entidade patronal germânica, já no seu discurso de abertura fez questão de saudar a aprovação na Câmara dos Deputados da Reforma da Previdência. Disse que significou uma forma de modernização e sinal de abertura para parcerias comerciais. Ou seja, o fato da classe trabalhadora ter sido condenada a trabalhar até morrer é o que cria as possibilidades destas “parcerias”. Robson Braga de Andrade, Presidente da golpista Confederação Nacional da Indústria, também descreveu o momento de desemprego e miséria vivido pela população brasileira como “promissor” na mesma cerimônia.

A saudação do General Hamilton Mourão foi escandalosa por si só, seja por afirmar que ele e Bolsonaro foram eleitos por um movimento popular, ou por ser aplaudido ao dizer que Bolsonaro “tem compromisso com a preservação da Amazônia”. A situação do país foi descrita por ele como “emergindo de uma crise econômica, política e psico-social”, os escassos empregos que vieram após a Reforma Trabalhista não pagam mais que 2 salários mínimos, e as chamas na Amazônia se espalham para o Pantanal e o Cerrado.

Mourão enfatizou que as prioridades do governo são medidas que preparam o terreno para seus negócios serem ainda mais lucrativos, como a Reforma da Previdência, a Reforma Tributária, o Acordo Mercosul-União Europeia e o pacote Anti-Crime e Anti-Corrupção. Ou seja, ofereceu ao imperialismo alemão que trabalhemos até morrer, que as contas “deficitárias” sigam priorizando o pagamento da dívida pública, assim como o genocídio siga nas periferias, com imagens chocantes como placas nos telhados de escolas suplicando à polícia que não atire, legalizando os assassinatos “em legítima defesa”.

O imperialismo alemão tampouco veio em calmaria ao encontro, já que a indústria alemã teve uma queda e desenha um cenário de recessão para o próximo semestre. Por isso quer arrancar seu pedaço na disputa econômica sob o Brasil, sujeito a uma situação de tripla dependência à União Europeia, Estados Unidos e China.

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte, começou sua saudação com um vídeo que configura um verdadeiro oferecimento do RN ao capital alemão, dando destaque ao Programa “RN Mais Competitivo” no qual oferece incentivos fiscais, segurança jurídica, eficiência e agilidade nos processos de licenciamento ambiental. Disse ainda que seu governo está “de mãos dadas com os empresários e trabalhadores”, na qual sabemos quem sai lucrando da exploração e da destruição do meio ambiente regional.

Pontuou o interesse em Parcerias Público-privadas para saneamento básico e infra-estrutura e enalteceu as riquezas naturais do estado potiguar, a potencialidade para energia renovável e a produção de sal e de melões. Fala que governa por um RN mais inclusivo, voltado ao desenvolvimento e a geração de empregos, quando na verdade apoiou a Reforma da Previdência de Maia junto a outros governadores da Região Nordeste. As devidas contra-partidas que menciona só garantirão a máxima exploração do povo e recursos potiguares à serviço de quem quer que seja e siga a priorização do pagamento da dívida pública.

A demagogia do encontro também teve sua pitada local, realizado no Centro de Convenções da Via Costeira. Álvaro Dias (MDB), prefeito de Natal, foi aplaudido no encontro, num sinal de aprovação à sua tentativa de remover comunidades das orlas da capital a partir da revisão do seu plano diretor, para favorecer construtoras e redes de hoteis e assim também prejudicar a biosfera local.

Fátima Bezerra também anunciou que o Consórcio Nordeste, demagogicamente apresentado pelos governadores como o meio para o desenvolvimento da região como forma de oposição a Bolsonaro, irá à Europa em novembro para apresentar sua carteira de investimentos, em busca de parcerias institucionais e financiamentos.

No Encontro Econômico Brasil-Alemanha estavam presentes também os governadores Rui Costa (PT), da Bahia, Erivaldo Chagas (PSD), do Sergipe, Paulo Câmara (PSB), do Pernambuco e Wellington Dias (PT), do Piauí. Estes são linha de frente do Consórcio Nordeste, que há pouco foram à China a procura de negócios e que já implementam projetos de reconhecimento facial com empresas chinesas na Bahia e no Pernambuco e tem o objetivo de consolidar o programa Conecta Nordeste também com capital chinês, que reterá os dados de toda a região.

Eduardo Bolsonaro (PSL), que se postula para embaixador nos EUA, seguiu à risca a linha de seu pai, defendeu à imprensa de que seu principal objetivo é garantir um acordo comercial com os EUA, e defendeu junto com Fátima as vantagens do acordo entre Brasil e União Européia. Bolsonaro e Guedes seguem para levar adiante o plano de privatização de 17 estatais e enfrentam hoje a greve dos trabalhadores dos Correios.

Estes fatos e discursos comprovam o quanto é necessária uma saída de independência de classe para enfrentar os diferentes imperialismos e semi-imperialismo (China) que querem avançar como urubus sob o Brasil, para defender de fato os interesses da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos. Enquanto a mão é dada “ao empresário e ao trabalhador” seguiremos pagando as contas da crise capitalista.




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