Política

IMPERIALISMO DE OLHO NO BRASIL

Empresas espanholas exigem de Temer mais ataques a trabalhadores e benefícios a seus negócios

Durante evento que recebeu o primeiro-ministro do Estado Espanhol, Mariano Rajoy, as grandes empresas espanholas instaladas no Brasil aproveitaram para cobrar de Temer que implemente sua agenda de ataques e vá além, cobrando novas medidas para beneficiar o capital imperialista no país.

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

O Fórum Brasil-Espanha, realizado em São Paulo com a presença do Primeiro-Ministro Rajoy, serviu para que os capitalistas do Estado Espanhol dessem o seu "puxão de orelha" em Temer para que continue sua agenda de ataques.

Telefonica, Santander e Repsol contaram em seu apoio com os "sábios conselhos" de Rajoy a Temer: ele disse para o presidente golpista que fosse em frente com os ataques sem se preocupar com os prejuízos eleitorais, tal como ele mesmo fez em seu país.

Os empresários apresentaram suas demandas para aumentar os lucros milionários que já tem com a privatização dos serviços no Brasil: Sergio Rial, presidente do Santander no Brasil (o terceiro banco que mais lucra no país), disse que Temer precisa acrescentar mais uma reforma à sua lista de ataques. Ele quer uma reforma no sistema financeiro, sem dúvida para poder aumentar a participação do capital de sua empresa em detrimento de bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, que ainda representam uma fatia imensa do mercado. O eufemismo utilizado para denominar esse objetivo foi o de pedir uma reforma "inteligente, de longo prazo" para criar uma "concorrência maior" entre os bancos.

Outro parasita do capital espanhol a exigir que Temer faça a lição de casa a serviço de seus lucros foi Antonio Brufau, executivo da Repsol. Ele disse que as reformas de Temer são "enormemente importantes", mas também não se dá por satisfeito com sua empresa abocanhando a cifra de 90.000 barris de petróleo por dia no Brasil. Ele disse que quer a abertura do mercado de gás no país, afirmando que se Temer dá esse passo e abre mais esse nicho de acumulação ao capital privado (hoje exclusivo da Petrobras) a Repsol teria condição de ocupar 20% do mercado no país, com um investimento de 12 bilhões de dólares.

E, como não poderia deixar de ser, o executivo José Maria Álvarez-Pallete, da Telefonica, uma das grandes beneficiadas pela privatização das teles no Brasil, também exaltou as reformas e os as cifras bilionárias dos lucros da empresa no país. O Brasil corresponde a 100 milhões de seus 350 milhões no mundo inteiro e daqui deriva 25% da receita da empresa. São lucros bilionários com a péssima qualidade dos serviços prestados e a exploração dos trabalhadores. Com os ataques de Temer, poderão lucrar ainda mais.

As declarações dos empresários no evento, contudo, foram apenas uma demonstração pública das exigências que os capitalistas fazem a portas fechadas para um governo que está em suas mãos. Eles foram previamente recebidos em uma reunião a portas fechadas por Temer, onde certamente colocaram suas demandas de maneira menos polida e cheia de eufemismos e com mais cifras e exigências de ataques concretos e detalhados para o presidente.

Um dos grandes responsáveis pela abertura do país para o parasitismo dessas empresas, o ex-presidente Fernando Henrique, recebeu por seus serviços prestados com as privatizações uma singela homenagem no evento em São Paulo, o prêmio José Anchieta, conferido pelo Fórum Brasil-Espanha. FHC disse que os ataques de Temer são necessários para garantir a "sobrevivência do Brasil como um pais competente, capaz de dar emprego". Disse que sem os ataques o Brasil poderia ficar "falido" e que "O Brasil está num momento tal que é necessário que medidas sejam tomadas. É uma questão de sentido comum".

Sim, um sentido comum entre esses políticos vendidos e corruptos, capachos do capital estrangeiro, e a burguesia nacional e internacional. Seu sentido comum é de nos atacar para aumentar cada vez mais seus lucros. Eles continuam se articulando, do lado de lá, para aumentar a agenda de ataques para abastecer sua ganância sem fim em cima de cada um dos nossos direitos básicos.

Nos organizemos entre nós, trabalhadores e explorados, para dar uma resposta à altura, começando com a organização desse dia 28 e construindo uma imensa greve geral para derrotar os ataques e derrubar Temer, colocando de pé uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para expulsar de uma vez por todas esses imperialistas.




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