Política

SÃO PAULO

Empresas caloteiras são parceiras de Dória

São as “empresas do bem” de Dória. Ou melhor: bem caloteiras. Devem milhões aos cofres da prefeitura, e a multa é ganhar publicidade nas redes sociais.

Chico Nery

Professor da rede pública de Campinas

segunda-feira 23 de outubro| Edição do dia

Em tempos de crise econômica, usada como justificativa para atrasar o salário de trabalhadores, demitir, cortar direitos, terceirizar, dar ração para crianças e moradores de rua, as empresas que devem milhões para a prefeitura de São Paulo ganham publicidade. É isso mesmo, você não leu errado.

São as “empresas do bem” de Dória. Ou melhor: bem caloteiras. Devem milhões aos cofres da prefeitura, e a multa é ganhar publicidade nas redes sociais.

É o caso da Siemens: deve 79,5 milhões em ISS(Imposto Sobre Serviços) para a cidade, mas ganhou um vídeo no perfil do prefeito e foi capa de sua revista LIDE pelo empréstimo de uma carreta com tomógrafo.

Já a AMBEV, que deve mais de 76 mil reais aos cofres, teve publicidade por patrocinar as reformas de quadras do Ibirapuera, e ainda dar de presente um “agrado” para o prefeito: uma geladeira para seu gabinete. A mesma Ambev que Doria orientou a inflar proposta para ganhar a concorrência do carnaval. Como são lindas as empresas do bem.

A Lista é enorme, e tem como a principal líder a recordista Bemis Latin America: trocou sua dívida de 727 milhões com a cidade pela doação de camisetas para os projetos de Dória. Isso mesmo: ganharam publicidade por doar 5 mil reais em camisetas enquanto continuam devendo 727 milhões aos cofres públicos. Caso similar temos com a Único Asfaltos, que deve mais de 190 mil reais, e ganhou publicidade por doar 800 reais em material. Ainda entra nessa a Ultrafarma, que patrocinou painéis de Dória no último jogo do Brasil.

Dória é o prefeito perfeito para os empresários: deixa o calote rolar, enquanto aumenta a publicidade. Mas não nos enganemos: o investimento que não ocorre na cidade, deverá encher os cofres da campanha de Dória nas próximas eleições. É desse jeito, que o candidato e seus meninos do MBL, que dizem ser “gestores” e não “políticos”, articulam a candidatura à presidência: governando exatamente da mesma forma que os partidos da ordem sempre governaram esse país em esquemas e negociatas com os empresários.

*Com informações de matéria publicada na Folha de São Paulo e portal da Prefeitura.




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