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CORONAVÍRUS

Empresários querem lucros e fim da quarentena, mas sem se responsabilizar por mortes

sexta-feira 1º de maio| Edição do dia

A sede dos empresários por seus lucros, acima das vidas dos trabalhadores, só cresce em meio à pandemia e ao isolamento social. Se por um lado, alguns dos empresários estão - por enquanto - contentados com a possibilidade que a MP de Bolsonaro dá, para cortar salários e suspender contratos, outros exigem dos governos a saída do isolamento social para não deixar que exista “desequilibro”.

Na tarde de ontem (30) aconteceu uma carreata, impulsionada pelo movimento de empresários Volta Consciente SP, um grupo que se diz "neutro", mas que na verdade é lotado de apoiadores do governo e do negacionismo de Bolsonaro, que exige do governo estadual a saída do isolamento.

Mas estes mesmos empresários, que querem acabar com o isolamento, enquanto o SUS cada dia tem menos leitos disponíveis, e a segue população sem testes fruto da absurda política de subnotificação de Doria, dizem que não querem se responsabilizar por qualquer morte que possa haver fruto de uma saída do isolamento.

“Vivemos em um país livre, e cada um deve defender o que acha justo, sem responsabilização”, é o que diz Michel David, um dos organizadores das carreatas.

Querem retomar o comércio e sair do isolamento social sem se responsabilizar, da mesma forma que diversos empresários sorriram com a MP de Bolsonaro por não ter que se responsabilizar com a renda de funcionários, cortando seus salários, suspendendo contratos, e demitindo.

Estes empresários tentam se apoiar num discurso demagógico contra a perda de empregos, mas são os mesmos que estão na primeira linha defendendo uma saída do isolamento para salvar seus lucros, e não empregos. Para garantir que os seus prejuizos não sejam ainda maiores em meio a esta crise. Por isso querem zero responsabilidade por mortes. Pois não se importam com as vidas que a classe trabalhadora perde fruto do descaso de patrões e dos governos.

Sabemos que o isolamento cumpre um papel, diferente do que discursa o negacionismo bolsonarista, que hoje, em pelo Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, publicou video dizendo que queria que todos voltassem ao trabalho.

Mas sabemos também, que este isolamento não é para todos, e muitos trabalhadores seguem nas ruas, arriscando suas vidas, sem ter direito a EPIs adequados, sem saber se podem ter contraído ou não o vírus, pois os governos se recusam a testar massivamente a população, e sem saber se caso contraiam o COVID-19, se terão leitos disponíveis, com o SUS cada dia mais superlotado.

A política dos governos estaduais contra a crise sanitária se baseia em se opor a Bolsonaro pela via do isolamento, mas sem dar quaisquer garantias as vidas dos trabalhadores. Não tem nada de “racionais” e nem “fazem o mínimo” como muitos dizem. Desde o início do isolamento, Doria, por exemplo, mente para a população, dizendo que irá testar massivamente, e até agora não se viu testes. E no momento em que o sistema público ameaça ficar sem leitos, os governos correm para negociar os leitos do sistema privado, em prontidão para pagar-los fortunas, ao invés de colocar todo o sistema privado de saúde à disposição do SUS, sem gastar um centavo sequer com os capitalistas da saúde.

Não podemos confiar nestes políticos, desde Bolsonaro, aos governadores, o STF, e o Congresso, que querem sim, com suas diferenças, salvar os capitalistas em meio a pandemia, e estão plenamente dispostos a deixar sangrar a classe trabalhadora, seja pelo COVID-19, seja pelo corte de salários ou pelas demissões.




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