Política

BOLSONARO E PATRÕES CONTRA OS TRABALHADORES

Empresários da aviação felizes com Bolsonaro. Os aeroviários devem se preparar para defender seus direitos

Declarações dos capitalistas do setor aéreo e a alta nas ações das empresas da aviação após a vitória de Bolsonaro apontam um alinhamento entre os capitalistas e seu representante repugnante eleito. Os direitos dos aeroviários, que já eram alvos no governo Temer, estarão ainda mais na mira de Bolsonaro, que promete ser violentamente contra os trabalhadores, seus direitos e suas organizações de luta.

sexta-feira 2 de novembro| Edição do dia

Bolsonaro com seu projeto de governo ultra-neoliberal está sedento para aplicar os ataques de interesse dos patrões e grandes empresários e eles já sabem disso.

Em declaração ao portal FlightGlobal, Enrique Cueto, CEO do grupo LATAM afirmou que considera Bolsonaro "pró-business", ou seja, alinhado aos interesses dos grandes capitalistas e especuladores. Ainda se declarou otimista graças a valorização do real, fruto do resultado das eleições. Sabemos que na verdade seu otimismo vai além: já vislumbra aumento das taxas de lucros a partir de maior exploração dos trabalhadores, buscando menores custos com a força de trabalho, como o que lhe proporciona as terceirizações, a supressão de folgas para descanso dos trabalhadores e escalas desumanas.

Essa e outras declarações, como a do Banco Itaú, denotam a continuidade do que vimos acontecer no final do primeiro turno, quando diversos setores burgueses declararam apoio a candidatura reacionária de Bolsonaro. Vimos o reflexo de tal apoio demonstrado em cada sinalização positiva nos números de Bolsonaro nas pesquisas, que vinha sempre acompanhada da subida da bolsa, como aconteceu com as ações da GOL linhas aéreas, uma das empresas que mais tiveram alta com a vitória de Bolsonaro.

O desmonte promovido pela reforma trabalhista de Michel Temer (MBD) atingiu milhões de trabalhadores e diversas categorias do país, dentre elas o setor aéreo, que sentiu o peso de demissões e da precarização dos postos de trabalho devido ao aumento de postos terceirizados. Junto com a reforma trabalhista e os diversos absurdos que ela prevê, veio de “brinde” a terceirização irrestrita, que muitos trabalhadores e trabalhadoras do setor aéreo já conhecem muito bem. Como já denunciamos aqui, as equipes de limpeza, por exemplo, já recebiam os piores salários e sem direito aos 30% de pagamento adicional de periculosidade. É de suma importância ressaltar que nesse setor, a grande maioria das trabalhadoras são mulheres.

E a precariedade não pára por aí: os trabalhadores da rampa, responsáveis na maior parte das vezes pelo trabalho braçal, também estão diariamente expostos às condições mais precárias de trabalho e com salários que não condizem com as tarefas realizadas. São estes os que mais sentiram na pele toda a brutalidade da reforma trabalhista e da terceirização irrestrita, que são bem vistas e aplaudidas pelos patrões e grandes empresários.

Lembremos as mais de 1.300 demissões de funcionários da Latam, em agosto deste ano, quando a empresa anunciou ao sindicato as demissões e informou que os postos seriam ocupados daí por diante via terceirização. Tal ataque absurdo atingiu diretamente os trabalhadores do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro.

Desde então, os setores de rampa e limpeza (ground handling), de gestão de equipamentos de solo (exceto aeronaves), e de atendimento a clientes com bagagens perdidas ou danificadas (lost luggage) passaram a ser responsabilidade da prestadora de serviços Orbital/WFS.

No país, a falta de emprego atingiu cerca de 28 milhões de pessoas e a geração de vagas formais de trabalho, com registro em carteira e direitos garantidos, deu lugar aos postos informais, ao trabalho intermitente e a terceirização, o que relega ao trabalhador menos direitos e condições precárias de trabalho, sem direito a 13º, FGTS, férias e salário fixo no final do mês.

Bolsonaro vem para aprofundar os ataques de Temer

“O trabalhador terá que escolher entre mais direito e menos emprego, ou menos direito e mais emprego”, declarou Bolsonaro durante sua campanha em entrevista ao Jornal Nacional. Sem pontuar quais direitos seriam retirados, Bolsonaro deixa clara sua intenção de continuar descarregando a crise nas costas dos trabalhadores, enquanto abre espaço para que as grandes empresas e os capitalistas continuem garantindo seus lucros.

Assim, ganhou apoio de grandes empresários, da elite brasileira e dos patrões, que com unhas e dentes farão de tudo para explorar ainda mais os trabalhadores para assim, garantir seus lucros. O vice de Bolsonaro, General Hamilton Mourão, declarou que o 13º salário e o abono de férias são um peso para os empresários, dando a entender que pretende acabar com esses direitos.
Não é de agora no entanto que o atual presidente se coloca como inimigo declarado da classe trabalhadora. Veja:

Lutou para aprovar a reforma Trabalhista

Bolsonaro votou pela aprovação da reforma trabalhista e também contra a PEC das domésticas, lei que garantia direitos trabalhistas para as empregadas domésticas.

Aliado de Temer e dos golpistas

Bolsonaro e seu partido (PSL) neste ano, até as eleições, foram mais fiéis a Temer que o próprio MDB. Analisadas 107 votações a taxa de fidelidade do partido do Bolsonaro ao governo foi de 67,73%, enquanto o MDB foi de 64,34% e do PSDB de Geraldo Alckmin 63,05%.

Votou a favor da PEC 241, a “PEC do fim do mundo”

A famosa PEC do fim do mundo, essa emenda na constituição prevê o congelamento de investimentos do governo em saúde, educação, moradia, entre outros, por 20 anos e foi aprovada em 2016. Jair Bolsonaro se manifestou contra a Lei mas no dia da votação “mudou de ideia” e votou a favor.

Na votação da Lei da Terceirização para atividade-fim, se absteve

O projeto de lei (PL 4302/98) permite a terceirização até da atividade-fim de uma empresa. Assim, uma escola, por exemplo, poderá terceirizar não apenas o serviço de limpeza, mas até a contratação de seus professores. Ou seja: é precarização e exploração dos trabalhadores para que os empresários lucrem ainda mais, não tendo a obrigatoriedade de garantir direitos trabalhistas e podendo cortar todos os benefícios. Ficar em cima do muro foi a saída de Bolsonaro para não desagradar os trabalhadores que o apoiam e ao mesmo tempo, manter boa relação com os capitalistas exploradores. No entanto, seu filho Eduardo Bolsonaro não hesitou e votou a favor da Lei.

Jair Bolsonaro usa dinheiro público enquanto propõe que os trabalhadores escolham direitos ou empregos

O atual presidente recebe auxílio moradia mesmo tendo apartamento próprio em Brasília. E não tem vergonha nenhuma em assumir isso. Em rede nacional afirmou não ver problemas nisso. Como se não bastasse, uma delação entregue ao STF pelo presidente da JBS aponta que Bolsonaro recebeu R$ 200 mil da empresa para a sua campanha a deputado federal pelo RJ em 2014, quando ainda era do PP. E para mascarar o fato, realizou uma manobra contábil para tentar esconder o valor recebido.

Declarou quando ainda candidato que “nem tudo no governo Temer é ruim” e vemos agora que de fato Bolsonaro não somente pensou assim antes de ser eleito como ainda pensa. Mal passaram as eleições e ele já discutirá com Temer os rumos da reforma da previdência, para que além de que a crise seja descarregada nas costas dos trabalhadores, estes trabalhem nas condições mais precárias a vida toda , sem direitos e trabalhem até morrer.

Organizar os trabalhadores para combater os ataques

Por isso é urgente que os trabalhadores aeroviários e aeronautas, efetivos e terceirizados, se organizem nos aeroportos e fora dele. Discutindo cada passo para nos organizar contra essas medidas e os ataques já declarados que virão. Por outro lado, os sindicatos dos aeroviários e aeronautas, assim como dos terceirizados, ligados à CUT e a UGT, devem chamar reuniões abertas, assembleias e atividades de panfletagem chamando a formação de comitês de luta para chegar às bases dos trabalhadores, cada vez mais ampliando a luta de defesa dos empregos e direitos.

A campanha salarial que se abre a partir de novembro, para ser vitoriosa até o final, tem que fazer estes debates preparando os trabalhadores para grandes lutas no próximo período, além de também estar ligada à ações combativas buscando aumento salarial real, deve buscar garantias vitais como o emprego e o fim do processo de retirada de direitos como as reduções de folgas.

Não podemos permitir que os empresários da aviação, animados com o governo Bolsonaro, aprofundem os ataques que já vinham impondo sob o período de Temer e continuem arrancando direitos conquistados historicamente pela luta dos trabalhadores. Somente com a organização de comitês de base em todo o país será possível barrar os ataques e derrotar Bolsonaro, a extrema direita e todos os golpistas. Por isso chamamos os trabalhadores, efetivos e terceirizados dos aeroportos do país a se organizarem conosco, para juntos e organizados nos prepararmos para as grandes lutas que se aproximam!




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