SUBMISSÃO IMPERIALISTA

Os pontos de convergência do conselheiro de Trump com o serviçal do imperialismo, Bolsonaro

Nesta quarta-feira (28) o emissário do governo americano, John Bolton, primeiro a encontrar com Bolsonaro no Brasil, se reuniu com a caricatura de Trump na casa do presidente, na Barra da Tijuca, a portas-fechadas sem “espaço para jornalistas”, como disse a embaixada dos EUA.

quinta-feira 29 de novembro| Edição do dia

O lema de Bolsonaro durante sua campanha para a presidência começava a ruir antes mesmo de ser eleito. Seu “Brasil acima de todos” já demonstrava estar sob o imperialismo americano e seu presidente de extrema direita, Donald Trump. De continências à bandeira dos EUA ao encontro apaixonante com o emissário de Trump no Brasil, Bolsonaro não esconde ser o serviçal do imperialismo para atacar os trabalhadores no país.

A reunião de Bolton com Bolsonaro serviu para reafirmar os pontos de convergência entre o emissário, sua política imperialista, com a submissão de Bolsonaro ao governo Trump.

"O prédio do Secretariado (da ONU) em Nova York tem 38 andares. Se perdesse 10, não faria diferença alguma. As Nações Unidas são uma das organizações inter-governamentais mais ineficientes em atividade (...) Não existe isso de Nações Unidas."

Esta foi a fala de Bolton mais conhecida no ano de 1994, em Nova York, sobre a ONU, a mesma que os EUA e os demais países imperialistas submetem as suas políticas contra os países subdesenvolvidos. Afinal, a crítica não é à ONU, mas um aceno que sinaliza que toda política mundial deve estar submetida ao imperialismo e que a única união possível das nações tem que ser sob a bandeira americano e dos ataques aos trabalhadores e ao povo pobre.

“[...] esse triângulo de terror que se estende de Havana (Cuba), a Caracas (Venezuela) e a Manágua (Nicarágua), é a causa do imenso sofrimento humano, motivo de enorme instabilidade regional e a origem de um sórdido berço do comunismo no hemisfério ocidental", afirmou Bolton em discurso em Miami.

O ataque do representante de Trump e de seu serviçal no Brasil contra países da América Latina possui um recado claro de que a sede das aves de rapina americanas por privatizações, ataques mais duros aos trabalhadores e submissão total ao imperialismo tem que estar no topo da política de todo país do continente, e nesse caminho Bolsonaro cumpre um papel chave no centro do coração Latino.

Atacando imigrantes nos EUA, como os hondurenhos com bala de borracha e gás lacrimogênios, e expulsando médicos cubanos no Brasil, Bolsonaro garante à Trump que será o braço do imperialismo no Brasil. Se no terreno econômico buscam garantir total submissão e ataques contra os trabalhadores, no campo ideológico buscam atacar o conjunto da esquerda e os opositores ao governo. “Expulsar vermelhos”, como disse Bolsonaro antes de ser eleito, é a expressão para verbalizar cada ataque contra a esquerda no Brasil, da expulsão aos médicos cubanos ao Escola Sem Partido, o presidente do PSL da o tom de seu governo de extrema direita submetido aos caprichos do governo americano.

O discurso de Bolton apresenta vários pontos de contato com os de Bolsonaro. Erguido pela manipulação das eleições pelo autoritarismo judiciário, o futuro presidente do país não podia ter outra política que não fosse a mesma da de Moro e sua Lava Jato.

"O encontro com o presidente eleito Bolsonaro surgiu como resultado da ligação do presidente Trump na noite das eleições no Brasil para parabenizar o presidente eleito. O telefonema foi realmente excelente. Acho que criou um relacionamento pessoal, mesmo de forma remota. O presidente Trump foi o primeiro líder estrangeiro a telefonar ao presidente eleito Bolsonaro", afirmou, Bolton.

A “era Donald Trump” já se destacava pelo agressivo retorno dos “nacionalismos econômicos” e por uma maior tentativa de ingerência na política interna dos países, não só por parte dos EUA, mas do imperialismo mundial de conjunto. A Operação Lava Jato com a prisão arbitrária de Lula, a pressão por privatizar enormes empresas como a Petrobras e a Eletrobras, o autoritarismo judiciário e a politização das Forças Armadas são expressões dos interesses imperialistas no país.

Agora, com Bolsonaro, tem um aliado importante para nutrir planos de intervenção nos países latinoamericanos, e especialmente para avançar no restabelecimento de seu pátio traseiro econômico e geopolítico.

A visita do emissário de Trump não deixa dúvida de, como afirmou ele, ser para “preparar o terreno para eles [Bolsonaro e Trump]”. O terreno que buscam preparar é o da espoliação imperialista, garantia do pagamento fiel da dívida pública que saqueia a riqueza nacional e punhos de aço para atacar o conjunto da classe trabalhadora.

Diante dessa investida imperialista, é preciso levantar alto a bandeira do anti-imperialismo, defendendo a abolição da ilegal, ilegítima e fraudulenta dívida pública, e uma Petrobras 100% estatal sob administração dos petroleiros e controle da população, sem qualquer centavo de acionistas privados, ou interferência das petroleiras estrangeiras pelo regime de concessão.




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