Política

XENOFOBIA

Em vídeo, Bolsonaro exala ódio a imigrantes e chama Brasil de "esse lixo"

Vídeo sem data mostra atual presidente chamando Brasil de lixo, afirmando que Amazônia não é nossa, exaltando relação com Trump e sendo racista e xenófobo com imigrantes africanos, haitianos e venezuelanos.

segunda-feira 2 de setembro| Edição do dia

Um vídeo sem data circula pelas redes sociais e imprensa progressista. Pelo conteúdo da fala, podemos supor que se trata de um Bolsonaro candidato as eleições de 2018, já que menciona diretamente a Copa do Mundo de 2018. A crítica se dirige aos que elogiam a seleção de futebol masculina francesa, que se destacou pelos craques de origem africana, ou seja, pelos seus imigrantes.

No vídeo, Bolsonaro se coloca de forma racista contra os imigrantes lá na França, mas amplia sua mira contra africanos, haitianos e venezuelanos. Depois de uma ressalva aos imigrantes japoneses, onde explicita o caráter de classe elitista de seus preconceitos (“Nunca vi japonês pedindo esmola”, ou seja, o problema dos imigrantes é sua classe e sua miséria, esse é o defeito intolerável), Bolsonaro conclui dizendo que a Amazônia não é nossa.

Como um argumento para a sua subserviência, Bolsonaro cita a Argentina, que reivindicou as ilhas Malvinas frente ao imperialismo britânico e perdeu, sugerindo que não fazia sentido reivindicar a Amazônia como patrimônio brasileiro. “ A Amazônia é nossa? Com todo o respeito, só uma pessoa que não tem qualquer cultura fala que é. Não é mais nossa!”, define o atual presidente.

Esse mesmo presidente afirma no mesmo vídeo, respondendo a uma suposta provocação de um “petralha!”, que teria questionado a posição de Bolsonaro diante de um imigrante da Suécia, por exemplo. A resposta é simplesmente: “Ô imbecil, tu acha que o da Suécia ia querer vir pra esse LIXO aqui?”. Recebe aplausos.

Ainda no mesmo vídeo, Bolsonaro enaltece suas relações com o governo norte-americano de Donald Trump, a quem já bateu continência.

Esse é o mesmo Bolsonaro que agora apela ao patriotismo e a Soberania Nacional para se localizar frente aos incêndios na Amazônia. A colunista do Estadão, Eliane Cantanhede, que faz críticas a Bolsonaro pela direita, sonhando com ajustes e um presidente a la FHC, graduado e bem comportado para atacar os trabalhadores com educação, fez um comentário lúcido em sua coluna a radio Eldorado. Bolsonaro recorre a dois públicos frente a crise internacional gerada pelos incêndios da Amazônia: os bolsonaristas convictos e mais duros (cada vez mais restritos) e os “patriotas”. Bolsonaro tenta roubar um sentimento legítimo e naturalmente anti-imperialista que existe em setores da população ao se enfrentar com Macron e a Europa, mas podemos ver em vídeos e relembrar os esquecidos: não existe anti-imperialismo pra defender a Amazônia em sua campanha, e não existe anti-imperialismo (ou qualquer vertente de patriotismo) frente a seu mentor e senhor, Donald Trump.

Muito importante lembrar bem quem é Bolsonaro, porque agora diante desta crise não vão faltar medidas para se relocalizar como já vem fazendo.

No entanto, além deste importante vídeo que parece remeter a campanha, algumas medidas de governo já explicitavam seu compromisso totalmente contrario ao meio ambiente, como o corte de verba para Ministério do Meio Ambiente

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