Gênero e sexualidade

Em todo Brasil: vamos tomar às ruas para derrubar a liminar da “cura gay"

Precisamos transformar nossa indignação em organização e tomar às ruas do país nos atos contra a liminar da "cura gay".

sexta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Em diversas cidades do país acontecerão atos exigindo a revogação imediata da liminar da “cura gay”. Depois da enorme revolta que gerou nas redes sociais a decisão da Justiça Federal de autorizar psicólogos a tratar LGBT como doentes, agora é a vez de tomarmos às ruas para dizer que nossa sexualidade não é doença, mostrando como na verdade, doente é esse sistema capitalista, que coíbe a todo momento nosso direito de sermos livres para amar quem quisermos.

A decisão da Justiça Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal de acatar parcialmente uma liminar contra a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia – que buscava regularizar o uso de terapias de “reversão sexual” tratando a homossexualidade como doença – constitui um enorme ataque a nossas liberdades democráticas que só pode ser efetivamente combatido com a força da nossa mobilização nas ruas. Em resposta a esse absurdo estão sendo chamados atos em diversas partes do país, cidades como São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba entre outras, terão atos esse fim de semana exigindo a revogação imediata desse liminar.

Para Virgínia Guitzel, ativista LGBT, militante do grupo de mulheres Pão e Rosas e uma das organizadoras do ato em São Paulo: “Num país onde os números de assassinato e violência contra LGBTs são recordes, medidas como essa liminar mostram o caráter opressor da justiça brasileira. Que legisla contra os setores mais oprimidos e querem retroceder nos poucos avanços que as mulheres, os negros e as LGBTs conseguiram conquistar a partir de muita luta nos últimos anos. É um enorme retrocesso que ataca a liberdade de gênero e retoma tempos onde as LGBTs eram torturadas, isoladas em manicômios ou até exorcizadas. O que deveria ser um direito elementar de todos poderem se expressar e amar como quiserem, passa a considerada uma doença que gera ódio e violência. Os atos que estão sendo convocados são uma ação importantíssima para mostrar a justiça brasileira e a todos aqueles LGBTfóbicos, reacionários e conversadores, como Feliciano e Bolsonaro, que nós não somos doentes. Que doente é essa sociedade capitalista que impede nossa livre construção de gênero e sexualidade. Por isso, precisamos tomar às ruas em todo o país, levantando orgulhosamente nossas bandeiras coloridas e transformando nossa indignação em organização capaz de derrubar essa absurda liminar da ‘cura gay’.”




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