Gênero e sexualidade

FEMINICIDIO

Em pleno 8 de março, mais um feminicídio em Campinas

domingo 8 de março| Edição do dia

Tais Michele, presente!

Apenas 6 minutos passados da meia noite, começando mais um 8 de março, o dia internacional de luta das mulheres, quando a PM foi acionada. Segundo informações divulgadas pela mídia, o assassino teria confessado o crime para o pai, que comunicou a polícia.

Tais Michele, uma mulher negra, mãe, trabalhadora, moradora do DIC, de apenas 34 anos, foi encontrada morta em sua casa, com sinais de asfixia ou estrangulamento.

Ainda não se sabe em detalhes as circunstâncias do crime, mas o suspeito é apontado como sendo namorado da vítima.

Relatos em redes sociais afirmam que Tais Michele esteve presente no ato realizado na manhã de sábado em Campinas, em alusão ao dia internacional de luta das mulheres. Um ato que entre outras demandas, gritava contra os feminicídios, pelo direito a vida das mulheres.

Segundo pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a taxa de feminicídios em Campinas, de 3,18 casos a cada 100 mil mulheres, é mais alta do que média estadual, de 2,4 mortes a cada 100 mil.

Há uma semana um homem colocou fogo na esposa em uma festa de casamento. Shirley Maria Pereira não resistiu e faleceu no dia 03 de março. Em 4 de janeiro foi Camila Rodrigues Barros, de 29 anos, morta a tiros pelo ex-namorado em seu local de trabalho. Tudo isso na cidade que não esqueceu o feminicidio de Isamara e mais 11 familiares no Réveillon de 2016, ou o bárbaro assassinato de Quelly da Silva, mulher trans que teve o coração arrancado em 2019, apenas citando os mais emblemáticos.

Se por um lado a tipificação do crime de feminicídio é recente, o que faz com que os casos se destaquem mais do que acontecia no passado, por outro o fortalecimento de uma extrema direita misógina, com um governo que zera o orçamento para programas de combate a violência contra a mulher são responsáveis pela sensação real de aumento dos casos, cujos índices bateram recordes em todo o Brasil no último ano.

É com dor, pesar e muito ódio que recebemos notícias como essa, da morte de uma companheira que estava ao nosso lado no ato ontem e hoje nos foi arrancada. Mas somente transformando esse sentimento em combustível para lutar poderemos impor um plano nacional de emergência contra a violência e transformar essa realidade.




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