Sociedade

O LIBERAL E O FASCISTA

Em palestra nos EUA, Bolsonaro coloca-se à disposição do imperialismo

As inúmeras contradições de Bolsonaro. O candidato do Patriotas que vai aos EUA colocar-se a disposição da burguesia imperialista e do capital, elogiando a legislação trabalhista do país em comparação à brasileira, “ Temos um problema na CLT, está engessada na Constituição”, e prometendo a reforma da previdência: “Dá pra sair, devagar, dá”. Se um liberal é apenas um fascista de férias, Bolsonaro quer, oportunamente, reunir em si os dois papéis.

sexta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Já há muito tempo em campanha, a medida que se aproxima 2018, Bolsonaro vem procurando ajustar seu discurso para a corrida presidencial. Em viagem aos EUA, durante duas palestras que deu, Bolsonaro buscou se colocar à burguesia imperialista norte-americana como opção economicamente viável ao cargo.

Nas apresentações, tentou transmitir dois ativos: sua imagem imaculada, no quesito corrupção; e apoio de grande parte da bancada do Congresso, em especial, as bancadas reacionárias, conhecidas como BBB – da bala (segurança), da bíblia (evangélicos) e do boi ( agronegócio). Sobre o primeiro ponto declarou: “Tem muita gente mais preparada do que eu, mas no Brasil hoje o pessoal está alvejado”, se referindo às investigações da Lava Jato que atingiram muitos de seus pares. E sobre o segundo, “Temos um sentimento muito grande que pode unir o Parlamento brasileiro”.

O discurso de Bolsonaro é de muitas formas contraditório. O candidato que sairá às eleições pelo Patriotas - atual Partido Ecológico Nacional, mas que será rebatizado para Patriotas, nome mais identificado com o discurso nacionalista do candidato – vai aos EUA colocar-se a disposição do imperialismo. Bolsonaro disse que os EUA deveria ser o “primeiro parceiro comercial” do Brasil, e que os “acordos fossem mais céleres”, além de defender a reforma trabalhista “ Temos um problema na CLT, está engessada na Constituição”, e prometer, com cautela, a entrega da reforma da previdênca: “Dá pra sair, devagar, dá”.

Outra contradição de Bolsonaro está em ao mesmo tempo que se reveste da pauta anti-corrupção, proclamando-se o único não “alvejado”, não consegue se distanciar da casta a que pertence: “Tem gente lá que eu gosto [sic], mas, que infelizmente, não vou citar nomes nem vou criticar, estão envolvidos nessas questões”. Chegando até a atacar a intocável -para muitos setores de direita e até alguns de esquerda- Lava Jato e o Judiciário, “ o Judiciário é um tanto quanto aparelhado também”. Isso se deve ao fato de que, diferente de outros políticos anti-establishment, como Trump ou Dória, Bolsonaro é um membro de longa data da casta política.

Em solo americano, Bolsonaro parece ter refletido sobre a figura de Trump, a quem é muitas vezes comparado por possuirem o mesmo discurso nacionalista, reacionário, machista e homofóbico. Mesmo durante as eleições Trump sofria forte rejeição da burguesia norte americana, que via seu populismo de direita como excessivamente autoritário e protecionista, em relação aos acordos de livre mercado dos EUA, benéficos mais as transnacionais do que a população norte-americana.

É fato que a burguesia de conjunto prefere mais um candidato à la Macron, um centrista mais responsável e submisso, do que um aventureiro como Trump, ou como Bolsonaro. A jogada de Bolsonaro é contraditória, quer incorporar os dois perfis, o discurso populista de direita, de um lado, como o defensor da família, da moral, o herói contra a corrupção; enquanto, no exterior, se mostra servil aos interesses da burguesia imperialista e do capital. Dessa forma, Bolsonaro parece querer abarcar, aquela citação “Um liberal é apenas um fascista de férias”, buscando ao mesmo tempo representar, oportunamente, os dois papéis, o liberal e o fascista.




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