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Em nova reunião, ministros elencam 50 medidas para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores

Em nova reunião com a lista de ministros mais reacionários da história recente do país, Bolsonaro anuncia novamente o plano de 50 medidas de cortes e ajustes para fazer com que os trabalhadores paguem pela crise.

terça-feira 8 de janeiro| Edição do dia

Na manhã desta terça-feira o recém presidente eleito através de eleições manipuladas sentou novamente com seus 22 ministros para decidir as 50 medidas de ataque a população e aos direitos que pretende aprovar ainda nos próximos 100 dias de governo.

Segundo tweet do presidente a reunião estaria a serviço de “ouvir cada um dos ministros sobre os planos, propostas de enxugamento das pastas e medidas de rápida implementação.” Tal é a urgência da aprovação de medidas certeiras para descarregar a crise nas nossas costas.

Os ministros teriam um prazo para elencar as medidas prioritárias de seu ministério nos primeiros meses de governo a serem levadas ao congresso nacional. Tais medidas serão analisadas pelo “pente fino” da Subchefia de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil da Presidência da República (SAG), comandada pelo corrupto confesso e novo ministro da casa civil, Onyx Lorenzoni.

Algumas das medidas pretendidas pelos ministérios já foram divulgadas, incluindo além de uma série de absurdos retrógrados como a aprovação do estatuto nascituro, prioridade para a inimiga das mulheres Damares Alves, a tão esperada e desejada pela burguesia imperialista, reforma da previdência.

O ministro da economia Paulo Guedes já anunciou como a principal prioridade, ainda que em aliança com Bolsonaro estejam usando da confusão para tentar enganar a população quanto a essa nefasta medida (http://www.esquerdadiario.com.br/Bolsonaro-quer-roubar-9-anos-de-nossas-vidas-para-os-capitalistas). Além disso, coloca em sua lista a reforma tributária, a privatização de estatais e a abertura comercial em conjunto com “abandonar a legislação fascista da CLT”, ou, como já sabemos, mais corte de direitos para os trabalhadores.

O ex-juíz Sérgio Moro, recompensado por seu serviço sujo realizado na lava-jato com o super ministério da justiça e segurança pública, também tem sua lista: mais recursos para PF, PRF e Coaf, inclusão na lei da regra de execução da pena em segunda instância, conhecida medida bonapartista tomada pelo poder Judiciário que prendeu arbitrariamente Lula.

O ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima de Albuquerque já elencou sua prioridade: privatização da Eletrobrás, enquanto Tereza Cristina, ministra da agricultura que poderia ser do agronegócio, quer reduzir o número de inspeções de frigoríficos em nome do lucro dos empresários do agronegócio e da redução da qualidade dos alimentos e a “regulamentação de titulação de terras de agricultura familiar”.

Ernesto Araújo das relações exteriores quer que as embaixadas se tornem escritórios comerciais e pretende reorientar a atuação da ONU, enquanto o ministro da educação Ricardo Vélez Rodrigues, pretende realizar “mudanças nas linhas de pesquisa do ensino superior”, ou seja, censurar as pesquisas que possuírem pensamento crítico, como já deixou claro Bolsonaro: http://www.esquerdadiario.com.br/Bolsonaro-negara-bolsas-a-estudantes-que-tiverem-pensamento-critico-27117. Além de apoiar modelos de gestão “mais eficazes” das universidades públicas, que como já sabemos, significa a privatização das universidades e aumento do autoritarismo.

Dentro outras medidas igualmente reacionárias, essas são as que mais tem sido reproduzidas por diferentes setores do governo e que serão levadas adiante o mais rápido possível pelo presidente, incluindo as que preveem votação na câmara dos deputados.

São muitas as medidas de ataque aos direitos democráticos e econômicos da população e estas colocam a necessidade urgente de uma forte luta organizada contra o governo de extrema direita que vem para esmagar a classe trabalhadora no nosso país. É possível derrotar tais medidas e impor uma derrota a reforma da previdência que hoje é a prioridade máxima de Bolsonaro, mas para isso se faz necessário a mais ampla unidade entre a classe trabalhadora, a juventude, as mulheres, negros, indígenas e LGBTs. As centrais sindicais que hoje dirigem milhões de trabalhadores pelo país precisam sair da paralisia e organizar um verdadeiro plano de lutas capaz de barrar esse projeto nefasto.

É preciso lutar para que os capitalistas que manipularam as eleições e colocaram Bolsonaro no poder paguem pela crise que eles mesmos criaram, batalhando pelo não pagamento da dívida pública, o fim das privatizações com estatização total das empresas que já foram vendidas total ou parcialmente, com funcionamento sob gestão dos trabalhadores que ali trabalham e controle popular, para enfrentar as burocracias estatais e as máfias que sugam os recursos públicos das estatais do petróleo e energia, aeroportos e transporte público. Contra os ataques as mulheres e a população negra, lutar pela igualdade salarial entre negras, negros, brancas e brancos, homens e mulheres, trans e cis e pela demarcação das terras quilombolas e dos povos originários.




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