Política

PT APOIA CANDIDATURAS GOLPISTAS A SENADO E CÂMARA

Em nome de cargos, PT se alia a golpistas nas eleições do Congresso

Em nome de garantir cargos nas mesas diretoras do Senado e da Câmara, PT negocia seu apoio a candidaturas de membros da base aliada de Temer e apoiadores entusiasmados do golpe para a presidência das casas parlamentares. É mais uma demonstração da estratégia do vale-tudo em nome de cargos e de que o PT não tem nada a aprender com suas alianças com a direita que abriram caminho para o golpe institucional.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 12 de janeiro| Edição do dia

Na Câmara dos deputados, o PT primeiro flertou com o deputado Rodrigo Maia (DEM) para apoiá-lo à reeleição. Em seguida, o novo líder da bancada petista na casa, Carlos Zarattini, participou nesta terça-feira, 10, do ato de lançamento da candidatura do líder do PTB ao cargo, Jovair Arantes, que não é ninguém menos do que o relator do processo de impeachment de Dilma.

Zarattini afirmou que a prioridade é que o PT tenha espaço nas Mesas Diretoras compatível com o tamanho de sua bancada. E aparentemente está disposto a se aliar com quem quer que seja para garantir seus cargos, tal como fez nos seus sucessivos governos em nome de garantir a "governabilidade" do país.

Com a segunda maior bancada da Câmara, composta por 57 deputados, o que o PT quer é a segunda secretaria, responsável por serviços administrativos e encaminhamento de requerimentos de informação a ministros. E a preocupação de Zarattini e outros setores próximos a Lula é de que lançando uma candidatura de oposição, como a de André Figueiredo (PDT), defendida por outros setores do partido e da oposição, é que eles não consigam o tão almejado cargo na mesa, para ser "garoto de recados" dos golpistas.

Sobre a questão, Zarattini afirmou, durante o lançamento da candidatura de Jovair Arantes: "Não adianta um candidato de oposição fazer um discurso bonito no dia de votação e acabar ali. Nossa prioridade é ver respeitada a regra que garante ao PT a segunda vaga na mesa. Quem é contra isso não entendeu a questão".

Outros membros do PT esbravejaram contra a ação, como Carlos Árabe, secretário de formação do partido: "É indigno e imoral o líder do PT botar o pé no ato desse candidato golpista". Talvez Árabe esteja achando indigno e imoral a ação que seu partido toma nesse momento, com o aval de Lula, mas será que ele pensa ser "digno" as alianças que o PT construiu ao longo de seus treze anos de governo, com figuras como Collor, Sarney, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Katia Abreu, Paulo Maluf entre tantos outros "grandes amigos" - dentre os quais a maioria abandonou o barco furado do PT para embarcar no golpismo?

A submissão se estende ao Senado

No Senado a situação não é diferente: Humberto Costa, líder do partido na casa, presta o apoio do PT a Eunicio Oliveira (PMDB), relator da PEC 55 que congelou os gastos com saúde e educação por 20 anos.

Há aí também os petistas descontentes, como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, que declarou: "É fazer aliança com golpista, que foi relator da PEC 55, que vai comandar o processo de desmonte da Constituição e de ataque ao direito dos trabalhadores." Mas o senador deixou claro que as alianças com a direita, tal como o PT fez no passado, estão longe de ser um problema de princípio: Em situação de normalidade democrática não haveria problema em fazer composição na Mesa Diretora".

Lindbergh disse que as negociações para apoiar os golpistas são um "divórcio com a militância". E Gleisi disse que "Ainda teremos a reforma da Previdência e a trabalhista, um dos atentados a um dos direitos mais antigos dos trabalhadores". Resta saber se em nome de uma "oposição responsável" a bancada petista não será a favor desses ataques aos trabalhadores, para "ajustar as contas" e garantir a continuidade do pagamento dos juros da dívida pública a banqueiros e especuladores que consome quase metade do orçamento do país.

Crise será levada ao Diretório Nacional

Para decidir a questão, o debate será levado ao Diretório Nacional do partido, uma instância que há muitos e muitos anos não tem qualquer influência da base petista, e onde se reúnem os burocratas profissionais cheios de cargos e privilégios, responsáveis já por tantas traições do PT à classe trabalhadora e por tantas alianças com a direita mais reacionária no período pré-golpe.

A questão que está colocada para os dirigentes petistas não está no marco de uma discussão de princípios, mas sim de conveniência política: agora que está na oposição e jogado nas cordas depois das acachapantes derrotas do impeachment e das últimas eleições municipais, há setores das altas esferas do partido que veem como necessário que o PT procure recompor uma aparência de combatividade contra a direita para tentar ganhar terreno eleitoral como oposição e tentar dar a volta por cima com uma candidatura de Lula em 2018.

É por isso que vemos declarações hipócritas como as de Alberto Cantalice, secretário de comunicação do PT, que afirmou: "Os golpistas que usurparam o poder estão desmontando as políticas públicas. Conciliar com eles é trair a tradição das esquerdas". A "tradição das esquerdas" foi traída pelo PT muitos anos antes, inclusive ao colocar em seu governo figuras como Michel Temer, hoje presidente golpista. Os ataques que Dilma vinha fazendo, como o imenso corte na educação logo no início de seu segundo mandato, não foram suficientes para a burguesia, que preferiu bancar o golpe. A sua inércia frente ao golpe, e agora frente aos ataques sem precedentes como a PEC 55 e a reforma da previdência, são uma demonstração de que no PT não há mais nada que remonte à "tradição das esquerdas", se considerarmos o mínimo de que essa se paute na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.

Outros oportunistas de fora do PT também pretendem tirar uma "casquinha" da situação, tentando se cacifar como defensor da "tradição das esquerdas", como o cínico Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à presidência. que disse serem "traidores" os que querem abandonar a candidatura de André Figueiredo, de seu partido, para apoiarem as candidaturas da base aliada de Temer.

A submissão do PT é "mais do mesmo"

Por mais que o apoio às candidaturas golpistas expresse um aprofundamento da degeneração petista e sua submissão aos golpistas, ela não é uma novidade. É apenas a sequência de uma longa trajetória de um partido que, desde sua origem, a partir do núcleo dirigente composto por nomes como Lula e Zé Dirceu, combateu fervorosamente qualquer perspectiva de um partido que se apoie na força dos trabalhadores para derrubar esse regime em que os governos de plantão não passam de serviçais dos grandes capitalistas, e que a aliança das velhas oligarquias políticas privilegiadas é o instrumento indispensável e insubstituível para cumprir essa função. Procurando separar as lutas sindicais das políticas, procurando vencer eleições fazendo o que fosse necessário, com alianças, caixa 2, propinas e financiamento das grandes empresas, o PT foi seguindo passo a passo nesse caminho de ser mais um partido dos patrões.

Hoje, ainda que mantenha uma base operária nos sindicatos dirigidos pela CUT, ele atua nos sindicatos como um freio para qualquer luta. E seus dirigentes procuram, como Lula, Humberto Costa e Zarattini, atuar sempre de forma "ordeira" por dentro das regras desse regime político feito pelos patrões e para os patrões, dentro do qual jamais os trabalhadores serão beneficiados.

Por isso, dizemos que é necessário a organização pela base dos trabalhadores, da juventude, dos setores explorados. Para exigir dos sindicatos dirigidos pela CUT e CTB que deixem de ser o instrumento da passividade que permite que sejamos atacados, e coloquem de pé greves e lutas contra os ataques do governo. E que avancemos a partir de nossas lutas para lutar por uma assembleia constituinte livre e soberana, onde possamos exigir as nossas demandas e colocar nossas propostas para acabar com esse regime político apodrecido.




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