Política

BOLSONARO E MAIA

Em meio as disputas, Bolsonaro quer pastor da Igreja de Edir Macedo para substituir Maia

Em meio a crise instaurada pela disputa acirrada com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Bolsonaro indica o apoio a Marcos Pereira, Pastor da Igreja de Edir Macedo e deputado da bancada da Bíblia, para as eleições à presidência da Câmara dos Deputados ano que vem.

quinta-feira 23 de abril| Edição do dia

Recentemente vimos o acirramento de disputa entre Bolsonaro e Maia (DEM), que é o presidente da Câmara dos deputados envolvendo o programa de socorro a Estados e Municípios e que se expressou na própria demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

A eleição para presidência da Câmara está marcada para fevereiro e Bolsonaro quer eleger Marcos Pereira, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, que vem apoiando Bolsonaro desde a sua entrada na presidência, sendo um dos pilares de apoio de seu governo. Vale ressaltar que essa igreja apoia o reacionário projeto Escola sem Partido que evita debates críticos nas escolas e estimula a perseguição a professores.

Pereira já foi ministro da Indústria, Comércio Exterior de Serviços na gestão de Michel Temer, foi parte do governo que aplicou uma série de reformas como a PEC congela gastos de Temer que buscava bloquear o investimento de verba em educação e saúde, que hoje mostra o quanto resulta diretamente como uma barreira no combate a pandemia do coronavírus e a toda crise sanitária que está colocada.

O pastor que é Vice-presidente da Câmara comanda o Republicanos, partido que recentemente abrigou o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, os dois se filiaram temporariamente, enquanto o Aliança pelo Brasil não consegue assinaturas suficientes para sair do papel.

A bancada evangélica vem apoiando o governo Bolsonaro de forma sistemática e a base dura de Bolsonaro está intrinsecamente ligada à igreja, é portanto fundamental para o presidente que visa se colocar como enviado de Deus manter aliados como Pereira para aprofundar cada vez mais a unificação da Igreja e do Estado, se colocando completamente contrário a qualquer ideia de Estado laico, não a toa projetos de Bolsonaro apontam na linha de implentar ensino religioso nas escolas e favorecer leis que permitam igrejas como a de Pereira, ampliar suas arrecadações de fiéis em detrimento do enriquecimento dos líderes bilionários como é o caso de Edir Macedo.

Ao mesmo tempo que Bolsonaro entra em conflito em determinadas medidas com Maia, se unificam em torno de outras pautas como foi a reforma da previdência, que foi o carro chefe dos maiores ataques contra a classe trabalhadora que visava justamente fazer com que trabalhemos até morrer, nesse sentido, de atacar os direitos dos trabalhadores há uma convergência entre os dois.

Não há portanto qualquer perspectiva de melhoria da crise que possa vir de Maia e Bolsonaro, e a tentativa de fincar na presidência na câmara um representante da Universal como é o caso da indicação de Pereira, só mostra o quanto Bolsonaro está preocupado em responder a sua base mais dura para conseguir se manter no poder, enquanto a classe trabalhadora é quem sofre a custas dos lucros dos capitalistas, acumuladores de riqueza como Edir Macedo.




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