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CORONAVÍRUS

Em meio ao "Distanciamento Controlado" de Leite, surtos de coronavírus saltam 30% no RS

O boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (SES) divulgado nesta quarta-feira (20) mostra aumento de mais de 30% nos surtos em locais fechados, destacando penitenciárias, casas genéricas e industrias como frigoríficos. Na semana passada eram 28 surtos, agora salta para 41 no meio dos decretos de flexibilização de Leite e dos prefeitos.

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

Enquanto empresários pressionam para manter suas empresas operando a todo o vapor sem garantir as condições especiais de afastamento, álcool gel, máscaras e outros equipamentos necessários para a prevenção do contágio, os trabalhadores se expõem cada vez mais e a pandemia avança no estado do Rio Grande do Sul. Segundo o boletim epidemiológico seis municípios da serra e nordeste do estado apresentaram surtos em indústrias agropecuárias e em frigoríficos. Bento Gonçalves, Serafina Corrêa, Encantado, Vacaria, Taquari, Bom Jesus e Miraguaí. São 611 casos confirmados na região. Surtos na penitenciária de Caxias do Sul e em casas geriátricas em Passo Fundo e Teutônia bem como em um abrigo em Esteio forma também notificados.

Os surtos aumentam drasticamente após quase duas semanas que Leite decretou o chamado “Distanciamento Controlado” que segue flexibilizando a reabertura do comércio e de vários ramos da economia alegando que a pandemia no Estado é mais controlado em relação ao resto do país e do mundo e que seja possível ser feita a reabertura de maneira controlada. Mas os surtos de COVID-19 já estavam ocorrendo antes do decreto do Leite, principalmente nos frigoríficos que seguiram funcionando a todo o vapor. Além disso os casos de coronavírus no Estado disparam desde o primeiro decreto de Leite em abril.

As indústrias seguem produzindo como se a epidemia nada fosse. Os patrões, desesperados para manter uma roda gigante cheia de trabalhadores girando na máxima velocidade possível, pouco se importam se algum trabalhador ou algum membro de sua família acabe sucumbindo ao vírus, pois com uma massa de desempregados basta substituir quem cai sem que a roda pare ou perca a velocidade. Tudo em função de manterem seus lucros nas alturas.

Os grandes partidos de esquerda (PT, PCdoB etc) pouco fazem para ser oposição a isso cumprindo o seu papel desde cada sindicato que dirigem organizando a classe trabalhadora para tomar em suas mãos essa roda gigante e garantir assim segurança no trabalho. Sendo assim os trabalhadores precisam se organizar por si mesmos a fim de defender a vida. A classe trabalhadora no controle das grandes indústrias colocá-las para operar em função de combater o novo coronavírus, exigir dos patrões que abram os livros de contabilidade das empresas revelando assim quanto exploram seus recursos humanos, colocar toda a receita das empresas para pagar salários e girar a produção para produzir respiradores, máscaras, álcool em gel e demais produtos para salvar e prevenir a vida dos trabalhadores, dispensando os lucros dos grandes empresários.

Criar um grande movimento coordenado de trabalhadores para dar uma resposta de fundo à situação sanitária e à crise econômica mostrando assim que nossas vidas valem mais que os lucros dos capitalistas. Talvez esse seja o único caminho para frear essa lógica macabra dos governos de esconder os números e agir como se tudo estivesse sob controle, lógica que significa muito mais de 20 mil mortos no Brasil se levarmos em consideração a falta de testes e a subnotificação.

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