Educação

SÃO PAULO

Em meio à pandemia, Doria quer acabar com a saúde dos servidores (IAMSPE)

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), quer em meio à pandemia avançar com o desmonte e a privatização do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, o IAMSPE. O governador escancara que assim como Bolsonaro não está preocupado com a saúde dos trabalhadores e suas famílias. Além de evidenciar, mais uma vez, sua demagogia no combate à pandemia.

quinta-feira 27 de agosto| Edição do dia

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, já realizou mais de 100 coletivas de imprensa ao longo da pandemia. A um olhar desavisado, diante de um presidente como Bolsonaro que agride e ignora a imprensa, isso pode parecer um sinal de um governante preocupado com a saúde pública. Mas por trás da cena publicitária, Doria tem um projeto de destruição e entrega do patrimônio público. Assim como Bolsonaro, não se preocupa com a saúde do povo, sua única preocupação são as eleições de 2022 e o personagem que precisa criar até lá.

A lista anunciada de privatização é grande no PL529/2020: transporte, medicamentos, pequeno produtor rural, pesquisa, moradia popular e uma série de outras instituições históricas do Estado de SP estão colocadas a leilão por seu projeto. Falaremos especificamente de uma delas aqui: o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, o IAMSPE.

Todo servidor, contribui com 2% de seu salário mensalmente para que ele e seus familiares possam usar o serviço. O sistema se encontra faz anos precarizado e são dezenas de cidades do interior do Estado de São Paulo sem acesso a pronto-socorro, exames e cirurgias. A precarização e a privatização através de fundações desse sistema público não se iniciou agora, ela é um projeto de governo do PSDB há décadas.

Doria quer aprofundar seus objetivos buscando a extinção completa do IAMSPE. E para que os servidores não lutem contra essa entrega, ele os obriga a aceitar a privatização, com um absurdo aumento na contribuição em meio à pandemia. É nas costas dos idosos e das famílias que esse governador de maneira covarde quer jogar a conta do déficit fiscal do Estado. Em quanto isso, seus amigos milionários devem quase 10 bilhões em isenções fiscais ao estado.

Um exemplo para facilitar o entendimento: José é um professor da rede pública, que dá aulas faz 30 anos em SP, e possui 60 anos de idade. Sua esposa, Maria, que também possui 60 anos, tem direito ao plano, assim como seus filhos: Tiago (13 anos) e Roberta (16 anos). Dona Josefina (85 anos) e seu Antonio (84 anos), pai e mãe de José, também utilizam o serviço. Atualmente, 2% do salário de José é descontado para o pagamento do plano. A proposta de Doria passa a ser a seguinte.

José, como já passou dos 59 anos, terá seu desconto aumentado para 3%. Além disso, será descontado 0,5% de cada filho (dependente abaixo dos 59 anos), mais 1% de sua esposa (dependente acima dos 59 anos), mais 3% de sua mãe e 3% de seu pai (agregado acima dos 59 anos). Ou seja, um aumento gigantesco de 500% de desconto salarial relativo à saúde no meio da pandemia, que passa de 2% para 11% do seu salário bruto. Lembrando que José, que já contribuía com outros 11% de seu salário para a previdência, teve esse desconto aumentado para 14% antes da pandemia por Doria com a reforma de previdência estadual, cópia mais dura do projeto de Bolsonaro . Ou seja, na prática 1/4 do salário de José ficará retido pelo governo Doria se o PL529/2020 passar.

Enquanto Doria mantém o paraíso da isenção fiscal aos latifundiários, especuladores e grandes empresários. Além de escorrer dinheiro público, por meio de lobbys, diretamente para os bolsos dos grandes empresários. O governador quer que os servidores públicos que estão faz anos sem reajuste salarial paguem por mais essa crise, em particular os mais idosos, com pais e mães idosas e que possuem filhos.

É tarefa da nossa classe a defesa do IAMSPE contra todo projeto de desmonte e privatização que Doria quer nos impor. Além de batalhar para que todos os servidores, efetivos e temporários, possam usufruir desse sistema de saúde. O ataque ao IAMSPE e ao SUS, especialidade do PSDB, agrava os riscos de contaminação e óbito pela Covid-19. É fundamental que as centrais sindicais, tais como, a CUT e a CTB que dirigem dezenas de sindicatos de servidores públicos no Estado de São Paulo organizem um grande plano de luta para barrar esse ataque e o conjunto de privatizações do PL 529 de Doria.




Tópicos relacionados

Nossa Classe Educação   /    João Doria   /    Educação   /    Professores

Comentários

Comentar