Sociedade

CAPITALISTAS E O LUCRO COM O CORONAVÍRUS

Em meio à pandemia, Bayer aumenta lucros em 20% chegando a R$ 22 bilhões no 1° trimestre

Para os capitalistas da indústria farmacêutica a pandemia significa mais lucros. A gigante alemã Bayer é uma demonstração, com alta de mais 20% em seus lucros após a disseminação da doença. Nossa morte é comemorada pelos acionistas.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 30 de abril| Edição do dia

A irracionalidade e a degradação humana do sistema capitalista se expressam não apenas nas aterradoras cenas que temos visto dos hospitais superlotados, valas recebendo centenas de corpos e as milhares de mortes que se multiplicam com o coronavírus, mas também mostra uma face igualmente monstruosa no retrato dos que comemoram em meio à crise. E um desses setores é a gigantesca indústria farmacêutica, que produz remédios e alimenta seus lucros nos transformando em clientes de seus fármacos – lembrando que um doente crônico é sempre mais lucrativo que alguém que se cure.

A Bayer é uma representante dos monopólios desse ramo capitalista, que é hoje um dos mais lucrativos do mundo, e ela expressa bem como as nossas mortes são a alegria dos seus acionistas: no primeiro trimestre de 2020, com a pandemia se alastrando pelo mundo, a empresa viu seus lucros aumentarem em mais de 20%, o equivalente a € 1,5 bilhão (mais de R$ 9 bilhões). Com esse acréscimo, a empresa viu o faturamento total nesse período de três meses atingir o patamar de € 12, 8 bilhões (equivalente a R$ 78 bilhões), com uma alta de 5,7%. No total, seu lucro líquido foi de US$ 4, 4 bilhões (mais de R$ 22 bilhões).

Isso está diretamente relacionado à expansão da pandemia. Apenas seu setor de saúde (a Bayer é um gigante que abarca diversos setores produtivos), seu faturamento aumentou 13,5%, ressaltando a ligação com a pandemia.

Envenenar também dá lucro

Não apenas com fármacos a Bayer faz sua fortuna: a empresa é a maior produtora do mundo de agrotóxicos, e em 2017 adquiriu a Monsanto. Os herbicidas foram responsáveis por 20,8% das vendas na receita da empresa, somando € 1,4 bilhão (mais de R$ 8,6 bilhões), e a agroquímica teve alta de 6,1% no faturamento.
É amplamente comprovada a relação do uso de diversos agrotóxicos com inúmeras doenças de imensa prevalência na população, como o câncer. A destruição de nosso sistema imunológico e as nossas mortes não são apenas comemoradas no caso da COVID-19, mas são ativamente impulsionadas pelos produtos da Bayer. A empresa, por exemplo, responde a 52 mil processos judiciais nos EUA por problemas de saúde causados pelo uso do herbicida Roundup Ready, que contém glifosfato – produto que vem sendo proibido em uma série de países e ganhou grande incentivo de uso no Brasil no governo Bolsonaro. O glifosfato foi considerado pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), organismo vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS) como possível causador de câncer em 2015.

Quebrar as patentes e segredos comerciais, colocando sob controle dos trabalhadores

É absolutamente revoltante que empresas sigam tendo lucros de dezenas de bilhões negociando com nossa saúde. Em meio a essa pandemia, com dezenas de milhares de mortes, precisamos lutar para que essas empresas sejam colocadas sob controle dos trabalhadores, botando seus lucros para financiar medidas de combate à COVID-19, quebrando as patentes e segredos comerciais de seus remédios e produzindo-os a preço de custo para ajudar no combate à pandemia em tudo o que for necessário. Essa é a forma de dizer que não vamos mais aceitar enterrar nossos mortos às centenas em valas comuns enquanto eles comemoram a subida de suas ações. Nossas vidas valem mais do que os lucros deles.




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