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CORONAVÍRUS NO MUNDO

Em meio à expansão do Coronavírus, Europa mantém amontoados dezenas de milhares de refugiados

Pandemia revela as calamidades provocadas pelos Estados capitalistas. Refugiados que deixam seus países em guerra é uma delas: milhares e milhares de pessoas que vivem em condições desumanas.

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Durante anos o mundo assiste chocado e espantado as imagens das caravanas de refugiados da guerra civil na Síria, onde também participam a Rússia e o Irã, apoiando o regime despótico de Bashar al Asad, por um lado, e a Turquia, que apoia ex-integrantes da Al Qaeda e do Estado Islâmico.

Todos se lembrarão da imagem do garoto sírio de 3 anos de idade, Aylan Kurdic, que se afogou nas praias turcas enquanto tentava fugir com sua família da barbárie da guerra.

Os Estados europeus hipocritamente mostraram comoção, enquanto fechavam suas fronteiras para milhões de pessoas que haviam perdido tudo.

Os combates na Síria continuaram, as caravanas de refugiados também.

Hoje, em meio à crise global devido à pandemia do COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, o drama dos refugiados se manifesta em sua totalidade em Lesbos, ilha da Grécia que fica ao largo da costa da Turquia, governada por Recep Tayyip Erdogan.

Nessa ilha é onde se encontra Moria, o maior campo de refugiados da União Europeia, uma terra de 100 mil metros quadrados, concebido para abrigar apenas 3 mil refugiados e que hoje abriga cerca de 20 mil pessoas.

Nas 5 ilhas gregas, localizadas no Mar Egeu, cerca de 41 mil pessoas vivem em condições mais do que terríveis, aguardando alguma resposta ao pedido de refúgio em um país da Europa. Um continente cujos países centrais já mesmo antes do Coronavírus fechavam suas fronteiras para aqueles que fugiam dos efeitos devastadores da guerra ou da fome. Pragas divinas abominando os pecados capitais? Não, a face mais abjeta do sistema capitalista.

Em Lesbos, por exemplo, 5 ou 6 membros de uma família (ou mais) são obrigados a morar amontoados em pequenas tendas de 4 metros quadrados. Nesse campo, em algumas de suas zonas, há apenas um chuveiro para 240 pessoas, um banheiro para 170 pessoas e em outras áreas não há água nem eletricidade.

Não é exagero dizer que, se o coronavírus chegar a essa região, os resultados serão tremendos.

Em um comunicado, o secretário-geral do Conselho Norueguês para Refugiados, Jan Egeland, declarou em meados de março que: “Quando o vírus atingir assentamentos superlotados em lugares como Irã, Bangladesh, Afeganistão e Grécia, as consequências serão devastadoras. Nós devemos agir agora. Também haverá carnificina quando o vírus chegar em partes da Síria, Iêmen, onde hospitais foram demolidos e os sistemas de saúde entraram em colapso.

Diante desse panorama e com a ameaça latente do coronavírus, qual foi a resposta do governo conservador da Grécia? Proibir visitas ao campo tanto de indivíduos quanto de organizações, inclusive organizações humanitárias, e suspender atividades coletivas, como se Moria não fosse uma área absolutamente superpovoada.

Também proibiu que aqueles que chegaram após 1º de março (quando a Turquia abriu suas fronteiras para "se livrar" dos refugiados) apresentem seu pedido de asilo.

Os Médicos Sem Fronteiras na Grécia, que trabalham nos campos, afirmam que é impossível cumprir as recomendações para prevenir o coronavírus, porque faltam água e sabão e é muito difícil isolar alguém que apresente os sintomas, devido ao superlotamento.

Reproduzimos um vídeo feito pelo jornal El País, "Presos em Moria", que reflete a situação daqueles que vivem naquele campo de refugiados.

Até meados deste mês apenas uma pessoa infectada foi relatada, o que indica que, neste momento, já deve haver muitas infecções.

Os Estados europeus primeiro impuseram muitas restrições à entrada de imigrantes refugiados e, quando os aceitaram, impuseram condições desumanas, logo depois fecharam novamente suas fronteiras.

Agora, devido às condições impostas pela pandemia de coronavírus, quase todos os países imperialistas da União Europeia permanecem fechados, assim como a Grã-Bretanha. Os Estados Unidos, como o principal mentor de várias dessas guerras que provocaram a saída em massa de grande parte da população da Síria e do Afeganistão, ignoram essa crise humanitária.

O coronavírus está trazendo à tona várias realidades cruéis que mergulham ainda mais na miséria milhões de trabalhadores de todo o mundo. Mas essas realidades não caíram do céu, elas são consequência das políticas específicas dos países imperialistas e de seus governos aliados.




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