Política

RIO DE JANEIRO

Em meio a escândalo de corrupção, Witzel lança edital para entregar a Cedae aos capitalistas

segunda-feira 8 de junho| Edição do dia

Witzel lançou edital para agradar capitalistas com a proposta de privatização da Cedae. O lançamento ocorre em meio ao escândalo que atingiu seu governo, devido a contratos fraudulentos celebrados por ex secretários de Witzel que foram presos, ligados ao empresário Mario Peixoto segundo as investigações. A Lava Jato, por sua vez, só atuou aí por interesses de Bolsonaro, já que antes Bretas dava as mãos para Witzel em um bloco só em defesa do autoritarismo policial e o reacionarismo representado na eleição de Bolsonaro.

O edital oi lançado no Diário Oficial e foi aberta uma Consulta Pública sobre o modelo proposto de privatização -aonde é possível votar contra a proposta de privatização. Além disso, duas audiências públicas devem ocorrer em 25 de junho e 06 de julho, com Witzel aproveitando a pandemia para levar adiante projetos de ataque à população. Tal consulta é uma tentativa de apagar o fato de que a população, em especial os trabalhadores da Cedae, lutaram bravamente contra a privatização da empresa durante o governo Pezão, impondo uma série de entraves ao processo de privatização da empresa, que foi aprovado na Alerj mas não tinha ido para frente até então.

O formato decidido para a privatização é o de concessão, no qual uma ou mais empresas capitalistas arrematam o direito de explorar a água do Estado do Rio de Janeiro, pagando R$ 33,5 bilhões para usufruir este direito durante 35 anos. O Estado do Rio de Janeiro, apesar da concessão, terá que seguir arcando com a manutenção do principal ativo da empresa, a Estação de Tratamento do Guandu. Se a Cedae, em 2018, conseguiu lucrar R$ 832 milhões praticando preços de empresa pública e investindo nas suas estações de tratamento, imagina o que não lucrarão estas empresas que, segundo a concessão, terão que investir meros R$ 4,6 bilhões em tratamento de esgoto como termo da concessão.

O contrato prevê a redução do lixo na Baia de Guanabara e o abastecimento de 99% das casas com água potável. Promessas iguais às feitas pelas empresas de Ônibus, cujos contratos previam ar-condicionados em 100% da frota.

Se gerenciada por Witzel ou por Pezão, a Cedae foi utilizada como cabide para indicação de cargos, colocando pessoas não especialistas na área, não indiciando funcionários da empresa para dirigi-la, nas mãos das concessionárias a situação promete piorar radicalmente. Basta vermos os serviços das concessionárias no Estado do RJ: da Light, ou da SuperVia, e até mesmo dos caríssimos pedágios - a capital do Rio é uma das poucas cidades do país com pedágio cobrando passagem para andar dentro do município, de um bairro a outro.

O escândalo das águas sujas que ocorreu no início nada mais é do que a demonstração de que nas mãos destes políticos, as empresas públicas sofrem e são desmoralizadas. Nas mãos dos capitalistas temos exemplo muito piores, com abandono completo dos serviços públicos. Só mesmo com o controle da empresa nas mãos dos trabalhadores em aliança com o povo é possível ter uma Cedae que sirva aos interesses da maioria da população, com água limpa e esgoto para 100% das moradias.




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