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PRIVATIZAÇÃO

Em meio a escândalo de água podre, avança a privatização da CEDAE

Prefeituras aprovam modelo de concessão da CEDAE. A privatização votada pela CEDAE em 2017 fez avançar o pensamento empresarial da empresa. Em 2018, os lucros triplicaram e os serviços pioraram, culminando com a água podre em janeiro.

quinta-feira 13 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Ellan Lustosa/Codigo19/Folhapress

Das 22 prefeituras que compõem a Região Metropolitana, 17 delas estiveram representadas na manhã desta quarta-feira de uma reunião no Palácio Guanabara que aprovou o novo modelo de concessão da CEDAE. Rio de Janeiro e São Gonçalo - cidades mais populosas do estado - se posicionaram contra. Representantes de 15 prefeituras decidiram pela continuação do processo, além do voto a favor do próprio governador - Wilson Witzel é o presidente do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana - e de um representante da sociedade civil.

Desde 2017, a CEDAE passa por um processo acentuado de precarização, que se deu sob ambos governos, Pezão e Witzel. Em julho de 2018, esse número era de 7.136. Em abril de 2019, pularam para 30.783. No PROCON, entre janeiro e maio de 2018 foram 167 reclamações contra 467 no mesmo período de 2019. No entanto, o lucro da CEDAE triplicou em 2018, com relação a 2017. O balanço da estatal de 2018, segundo O Globo, registrou um lucro líquido de R$ 832,6 milhões, uma variação de 197,5% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo também ocorreu o aumento da tarifa, de 12% em 2018.

Hélio Cabral, indicado por Witzel e aliado de Pastor Everaldo, demitiu a equipe técnica da empresa e aprofundou medidas para ampliar o lucro. Tudo isso, para preparar a privatização da empresa que avança nesse momento.

Witzel falou de investir vários bilhões para livrar seu coro do enorme desgaste que sofreu. Promessas ao vento que não enganam ninguém:

— A mais importante obra do nosso estado será realizada, levando 100% de água tratada e quase 100% de saneamento básico nos próximos 20 anos. Hoje o Rio de Janeiro consagrou investimentos de R$ 30 bilhões em saneamento e distribuição de água e mais pelo menos R$ 11 bilhões nos cofres do estado agora no mês de novembro - disse o governador, acrescentando que os municípios receberão parte desse valor de outorga.

Cada vez mais os trabalhadores tem que trabalhar em condições precárias, sobrecarregados, sem o a estrutura necessária e ainda com medo do assédio moral caso falem algo na CEDAE. Com a crise que assolou o Rio em janeiro, funcionários trabalharam em condições desumanas sem proteção adequada ao carvão ativado e ficaram, de forma paradoxal, sem água potável no local de trabalho.

Para barrar a sanha privatista dos capitalistas é necessário a mais ampla mobilização dos trabalhadores da CEDAE em aliança com a população fluminense. Junto a isso, é necessário lutar por uma CEADE 100% estatal, gerida pelos trabalhadores, com controle da população.

Abaixo a privatização da CEDAE, a CEDAE é do povo!

Informações: O Globo




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