Política

GOVERNO TEMER

Em meio à crise ministerial, Temer adota novo lema: não pense em crise, trabalhe pela entrega do país

No mesmo dia que um importante jornal de São Paulo pede a cabeça de seu Ministro da Justiça, Temer se esforça para mostrar uma agenda "positiva". Positiva para os empresários das multinacionais e para o imperialismo. Seu novo lema parece ser "não pense em crise, trabalhe pela entrega do país".

quarta-feira 28 de setembro| Edição do dia

Em meio a crise ministerial, o presidente Michel Temer pediu nesta terça-feira, 27, a auxiliares que não estiquem a polêmica sobre “gafes” de sua equipe. Tentando fazer um trabalho de "relações públicas" tem divulgado à imprensa a agenda de reuniões que realizou ontem e esse pedido de fim das "gafes".

O que ele chama de gafes são na verdade o que tem se popularizado com o termo “sincericídio”, misturando sinceridade com suicídio. Um ministro do trabalho que fala em jornada diária de 12horas, um apoiador na CNI que fala em jornada semanal de 80 horas, um braço direito que fala em “título personalíssimo” que deveria ser aprovada a anistia do caixa 2, ou o novo sincericídio, do repressor tucano Moraes que escancarou as plumas azuis da Lava Jato.

O editorial do importante jornal O Estado de São Paulo exigiu a cabeça de Moraes no dia de hoje. Temer se fez de rogado e ainda fez questão de se reunir com Aécio, presidente do PSDB para mostrar que tudo está em perfeita sintonia com o principal partido apoiador (e ao mesmo tempo ameaçador) a estabilidade de Temer.

Como temos analisado no Esquerda Diário o tucanato lhe exige ataques rápidos aos direitos dos trabalhadores, deixando com o PMDB e Temer o ônus da impopularidade preparando-se para 2018, e caso ele não “entregue” o prometido lhe ameaçar com novas eleições pela via de cassação de sua chapa com o sempre aliado tucano Gilmar Mendes presidindo o TSE. Entre as exigências tucanas está a pronta entrega da reforma da previdência que irá praticamente cassar o direito dos brasileiros se aposentarem, com clausulas e mais clausulas, como a que foi divulgada na grande mídia hoje que colocará uma idade mínima superior a 65 anos de idade, tanto para homens como mulheres. Outra exigência é reforma política para excluir a esquerda de ter representação parlamentar.

Ciente da pressão tucana e do chamado “mercado”, Temer quer mostrar uma “agenda positiva”. Sua agenda positiva não tem nada de favorável aos trabalhadores. E se mostra nos anúncios que fará nos próximos dias bem como quais foram as reuniões que realizou ontem e divulgou à mídia.

Segundo a Agência Estado, o Planalto aproveitou uma agenda lotada de audiências com presidentes mundiais de grandes multinacionais para orientar os executivos a falar com a imprensa e segundo essa agência de notícias o saguão do prédio foi transformado em palco de entrevistas, uma após a outra.

Foi assim com o presidente da Petrobras, Pedro Parente anunciando seu otimismo com a votação da entrega do pré-sal semana que vem e com o plano de privatizações. Na sequência, sem esconder a agenda de “não pense em crise entregue o país”, Temer se reuniu com o presidente mundial da Shell que prestou-se a um serviço de elogios a quem tão habilmente lhe entrega riquezas trilionárias. Bem Van Beurden declarou que o Brasil é um "lugar seguro" para investimentos. "Isso tem a ver com a segurança e a estabilidade das regras e das leis", disse o executivo. Evidentemente, não se referia a algumas leis do país, como o respeito ao sufrágio popular, mas as de garantia de propriedade privada sobre os recursos do país.

Na coletiva de imprensa o beneficiário da entrega dos recursos nacionais, iniciada por Dilma e acelerada por Temer foi questionado sobre o impeachment. Para o presidente da Shell: "o importante desses últimos acontecimentos é criar um clima propício para investimentos", afirmou. "Viemos falar com o presidente sobre a confiança que temos no País."

Como a entrega do petróleo é pouco, já que na crise o lema é trabalhe (pela entrega do país), ele recebeu na sequência o presidente da Hyundai, beneficiária de isenções de impostos no país e nunca investigada mas sempre citada na Lava Jato como uma das fontes dos recursos, pode sorrir e anunciar investimentos (muito inferiores ao que deixam de pagar de impostos).

Para concluir a agenda entreguisa Temer ainda reuniu-se com o presidente mundial da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchione, e não podia faltar, é claro um representante direto de sua agenda: o secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew.
Como se vê na agenda de reuniões a agenda política de Temer não tem nada de positivo para os trabalhadores. Seu lema é não pensar na crise com seu repressor Ministro da Justiça mas trabalhar pela entrega do país.

Com informações da Agência Estado




Tópicos relacionados

Governo Temer   /    Política

Comentários

Comentar