Sociedade

ESCÂNDALO NO GOVERNO WITZEL

Em meio à corrupção na saúde, Witzel reemprega secretário exonerado

Witzel demitiu no domingo o secretário Edmar Santos. Ontem, dia 18, o recontratou na função de “secretário extraordinário” mesmo com os diversos escândalos seguidos envolvendo super-faturamento na compra de respiradores.

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Imagem: Governo RJ/Reprodução

Witzel que foi eleito com discurso duro de combate à corrupção num estado que teve cinco ex-governadores presos, se vê agora sob o foco de investigações criminais sobre sua gestão durante a pandemia do novo coronavírus. Tentando se afastar das denúncias, exonerou o secretário da saúde foi sob a justificativa de que existiram "falhas na gestão de infraestrutura dos hospitais de campanha para atender as vítimas da Covid-19". O governo tem que responder por duas operações distintas da PF. Uma que culminou na prisão do Sub-secretário de saúde, Gabriell Neves, acusado de comprar mil respiradores com preço acima do mercado, com apenas 52 entregues.

Outra Operação, apelidada de "Favorito", a mando de Bretas, prendeu o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto. O empresário é um velho conhecido da política carioca, que a lava-jato havia preservado até agora. Passando por Cabral, Pezão e agora por Witzel há um verdadeiro rastro de corrupção deixado pelas empresas que tiveram contratos em todos esses governos. O empresário estaria desviando verbas dos hospitais de campanha, com quase 4 tri desviados da saúde ao todo, segundo estimativa.

Longe do que políticos como Witzel, que parece estar envolvido até o pescoço nesses esquemas de corrupção, e a própria Lava jato fazem parecer a corrupção é endêmica do capitalismo que podem oscilar entre mais ou menos casos mas que estão diretamente ligados aos interesses da burguesia que fazem do estado o balcão de negócios do empresariado. O exemplo de Mario Peixoto é patente. E demonstra que até de uma pandemia que tem ceifado a vida de milhares de pessoas organizam formas de lucrar, com anuência dos distintos governos cariocas. A fortuna herdada por esse sanguinário deveria ser expropriada imediatamente para custear o combate a pandemia.

A corrupção flagrante desses empresários que sugam a vida do pobre carioca é mediada, no entanto, por um ator social nada imparcial. O judiciário foi decisivo em todo o último período para determinar a política carioca e sua intervenção não preveniu o aparecimento do Witzel, por exemplo. Pelo contrário, a anti-política gerada por esse processo de caça as bruxas foi responsável por legitimar essa figura nefasta. Desde o início apontamos no Esquerda Diário, e isso fica mais claro agora, a lava-jato não serve para acabar com a corrupção mas substituir um tipo de corrupção por outra.

Judiciário: setor de privilegiados que não nada imparciais

Inclusive os motivos dessas investigações virem á tona, neste momento, estão longe de ser parciais e fazem parte de uma disputa que se dá em meio ao racha entre Moro e Bolsonaro que reconfigura papéis no judiciário carioca. A lava-jato do Rio se afasta do ex-juiz do Paraná e vai em direção ao bolsonarismo, sendo o centro das operações um golpe certeiro no governo Witzel, que vinha se beneficiando do distanciamento do presidente.

As disputas no interior do judiciário carioca está em pleno curso e esse ator social sobressai como a principal arma política para a eleição do final do ano. O autoritarismo do judiciário tende ser determinante, se sobrepondo, inclusive ao voto da população.

Witzel já está com processo contra Paes pelo TSE, que acabou negado. Aliados de Paes foram ao MP contra Crivella e foi autorizado uma investigação contra o juiz Marcelo Bretas. O escândalo que vem à tona envolvendo Witzel e seus capangas é parte dessa disputa no interior do judiciário.

Nosso futuro está sendo determinado por juízes privilegiados que não foram eleitas por ninguém e da qual não podemos depositar nenhuma confiança.




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