Mundo Operário

DEMISSÕES

Em meio a Pandemia, o Sistema S demite dezenas funcionários

Publicamos abaixo uma escandalosa denuncia anônima que recebemos no Esquerda Diário.

segunda-feira 15 de junho| Edição do dia

Quando se trabalha na “casa do cooperativismo paulista” como se denomina a instituição do Sistema S, Sescoop/ SP, na qual trabalhei por vários anos e que em teoria deveria defender os princípios cooperativistas inclusive, saudando a história do cooperativismo que a título de informação surgiu em 1844, em Rochedale, formada por 28 tecelões, para fazer frente ao capitalismo ganancioso que os submetiam a preços abusivos , exploração da jornada de trabalho e do desemprego crescente advindo da revolução industrial, quando trabalhamos em uma instituição dessa, que utiliza dinheiro público para levar formação, educação, cultura, saúde, sustentabilidade, inclusão social para seu público cooperativista, não se imagina que será demitido em plena pandemia.

Desde o ínicio da quarentena os funionários se organizaram para atender a instituição de alguma forma que coubesse, poucos funcionários permaneceram em teletrabalho atuando em um nível basal de atividades, a instituição se recusou a se adaptar a um modelo de home office, deram férias coletivas, deram banco de horas negativo, não quiseram aceitar nenhuma proposta de formatar cursos importantes para o desenvolvmento do público em plataformas digitais, o que manteria o trabalho de funcionários e parceiros, bem como não quiseram ações culturais ou movimentos para promover ações sociais relevantes para a sociedade.

Após ficarmos parados no dia 29/05, uma sexta – feira a noite, todos receberam e-mail para comparecer a empresa sendo alegado que o motivo seria buscar as novas carteirinhas do plano de saúde e assinar as férias e o “de acordo” com o banco de horas negativo. Quase todos os funcionários passaram o fim de semana preocupados, pois dividiram em 4 turmas essas reuniões, em nossas imaginações se passava de tudo, e o menor dos problemas seria uma redução de jornada ou suspensão de contrato.

Conforme foram passando os grupos o coração parecia se acalmar, eram anunciadas suspensão de contratos e redução de jornada, o que se justificaria pela política do Paulo Guedes que reduziu 50% do recurso do Sistema S por 3 meses, será que essa gente tem idéia do quanto isso impacta entre funcionários e parceiros?

O clima era tão tenso naquele auditório lotado que daria para cortar com uma faca, apareceu um superintendente da instituição com um papel na mão, falando que temia a redução por mais tempo dos 50%, que temia a diminuição da contribuição por motivos advindos da pandemia e que por esse motivo haviam optado pela suspensão de contratos e redução da jornada de trabalho, mas que nosso grupo era o da demissão e quando ninguém parecia acreditar, ele repetiu “infelizmente esse é o grupo da demissão”, esse grupo da demissão corresponde a aproximadamente 1/3 do quadro social da instituição, são 35 famílias desamparadas em meio a uma pandemia.

A sensação de ser descartado daquela maneira depois de tantos anos servindo a casa e seus princípios foi a pior possível, eu diria que humilhante, haviam pessoas que serviram a casa por quase 20 anos.

Foram pessoas do departamento ligadas a diretoria, jurídico, contabilidade, auditoria, formação profisional e só não foi todo mundo da promoção social, por que ficaram 2 pessoas que tem estabilidade, uma pessoa que participa da CIPA e uma pessoa que esta em licensa maternidade.

Não havia muito o que fazer e então a maioria dessas pessoas demitidas, se uniram para solicitar o benefício de vale alimentação estendido por 90 dias e o plano de saúde por 120 dias, a empresa nem se dignou a responder a solicitação dos ex colaboradores, mas de uma forma tosca, vieram com uma proposta de outplacement, para assessoria por 6 meses. Como assim na contramão do que haviam dito que não nos manteriam por falta de recurso financeiro e sem resposta a nossa solicitação de extensão de benefícios? Outplacement nesse momento? É inacreditável.

Uma instituição, demite 1/3 do quadro social, a maioria que atendia a área fim, com dinheiro em caixa para nos manter, o que querem? Recontratar gente por metade do valor? Terceirizar área fim? Não sabemos. Sei que foi uma das piores experiências da minha vida.




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