Política

MARCHA EM BRASÍLIA

Em marcha histórica em Brasília, Temer reprime manifestação e convoca exército: respondamos com uma Greve Geral já!

Nesta quarta-feira ocorreu em Brasília uma marcha histórica que distintos sindicatos e organizadores do ato apontam que contou com mais de 100 mil manifestantes. O ato se deu contra as reformas em curso, que retiram direitos trabalhistas e previdenciários, e também questionava o governo Temer, que subiu ao poder a partir de um golpe institucional e agora se encontra em grave crise depois que se escancarou a corrupção de seu governo junto a grandes empresários do país.

Iuri Tonelo

São Paulo

quarta-feira 24 de maio| Edição do dia

A marcha contou com milhares de ônibus com trabalhadores e jovens de todo o país. Enormes colunas se colocaram no ato que avançava até o congresso, mas foram impedidos pela forte repressão. Logo no seu início o governo decidiu jogar bombas de gás, spray de pimenta e avançar com cassetetes contra os manifestantes.

Depois de algumas horas do ato, a repressão se intensificou e foram enviadas tropas da polícia com cavalaria e até mesmo helicópteros arremessavam bombas contra os manifestantes. Um amplo setor de milhares e milhares não se intimidou e manteve seu intuito de fazer seu protesto contra Temer e as reformas.

Não conseguindo conter a raiva dos manifestantes, que resistiam com barricadas, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, fez um pedido ao presidente Michel Temer de que usasse as forças de segurança nacional para aumentar a repressão, colocando o poder legislativo a frente dessa enorme operação injustificável de cerceamento do direito de manifestação com o uso da violência estatal.

O presidente Michel Temer foi além e aproveitou a “oportunidade” para convocar as Forças Armadas, o Exército, para a “defesa” do congresso, no prazo de uma semana, sem área demarcada de intervenção, ficando a critério do Ministério da defesa de delimitar isso.

E utilizaram de um demagógico discurso de vandalismo, com as barricadas e os ministérios que foram alvo de ações dos ativistas, para justificar uma repressão sem limites contra dezenas de milhares de manifestantes.

Aproximadamente às 18hs a marcha se encerrou a partir dessa enorme repressão e depois de horas de resistência. O saldo para o governo é essa medida repressiva com o exército, que retoma elementos do pior dos tempos repressivos da ditadura militar. Até mesmo Rodrigo Maia expressou em fala no parlamento que havia pedido “apenas” a força nacional, expressando divisão entre os poderes com relação a medida. Parlamentares e juristas fizeram pedido no STF de reversão do decreto de Temer.

O ato, nesse sentido, marca uma polarização ainda maior no marco dessa crise do governo, com uma grande demonstração dos trabalhadores de que não irão aceitar passivamente as reformas, mas também com o governo tentando se manter em meio à crise aumentando seus poderes repressivos.

No entanto, frente à força da greve geral do dia 28 de Abril e com sua expressão no ato de hoje, tende a se unir momentaneamente setores da grande mídia aos poderes do parlamento e o governo federal buscando tirar o protagonismo dos trabalhadores, e garantir principalmente as reformas com Temer ou sem. Contudo ainda sim vimos se instaurar uma grande crise entre Temer e Maia por conta do chamado ao exercito – e até mesmo Renan Calheiros agora fala que a medida “ beira a insensatez”. A mídia cobriu os acontecimentos, sobretudo a Rede Globo, buscando destacar supostos "vândalos" para incriminar a manifestação e destacar a necessidade dos ataques, contudo não é capaz de reverter o rechaço aos ataques e mesmo o apoio de amplos setores da população a manifestação.

Temer esta cada vez mais "pendurado no ar", enquanto os principais partidos não encontram uma alternativa estável para crise, seja eleições diretas ou indiretas, pensando as formas de construir um novo nome que possa substituir Temer e manter o plano das reformas contra os trabalhadores.

Nesse marco, é mais que fundamental os trabalhadores entenderem esse momento político e pensarem em como avançar na luta, buscando encurralar completamente o governo Temer e todos os planos para aprovarem as reformas, ao contrário, impondo a completa anulação delas.

Para isso, é decisivo que as Centrais Sindicais reajam imediatamente a essa repressão do governo Temer e convoquem já uma greve geral; tardar nessa medida agora equivaleria a uma trégua com o golpismo e ao decreto militar de Temer. A CONLUTAS deve aglutinar um chamado, com MTST, correntes do PSOL, MAIS, que estiveram na linha de frente na marcha de Brasília, de uma grande exigência as centrais sindicais para concretizar a greve geral.

Além disso, para o desenvolvimento de uma forte greve geral, superando a espera de direções sindicais, como Paulinho da Força que fale em greve geral só daqui a 20 dias, é necessário construir pela base comitês em que os trabalhadores possam ser sujeitos de planificar as medidas de luta, votando representantes e organizando a luta em locais de trabalho ou mesmo regiões das ações que forem tomar na mobilização.

E nesse marco, levar a luta contra essa nova medida repressiva de Temer com o exército e o plano econômico de todo o Congresso de aprovar as reformas, questionando na raiz todo o regime político, colocando como bandeira da greve geral a imposição de uma constituinte,que em primeiro lugar revogue todas leis de Temer, e com essa forma tomar as medidas necessárias contra as reformas e levantando as grandes questões do país, como terra, moradia, dívida pública, para colocar em xeque o conjunto da política corrupta e antipopular que tem sido a marca do governo e os parlamentares dos partidos dominantes do atual sistema político.




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