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RIO GRANDE DO NORTE

Em greve, servidores do RN realizam ato com 300 funcionários da saúde na governadoria

Desde às 9h dessa terça-feira (5), trabalhadores dos hospitais, enfermeiras, socorristas e também da UERN, se reuniram em frente ao palácio da governadoria do estado do Rio Grande do Norte, hoje sob poder da petista Fátima Bezerra, exigindo que ela pagasse o salário de dezembro e o 13º de 2018 dos servidores.

terça-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Às 11h, o Fórum de Servidores entrou na governadoria para uma reunião com Fátima (PT), que até o fechamento dessa nota não teve seu resultado divulgado.

Durante a atividade, diversos servidores relataram a situação cada vez mais precária de suas famílias, algumas com risco de ter a luz de casa cortada, outras sem condições de pagar a passagem de ônibus. Uma situação que se estende e atesta que a política de Fátima e do PT para “resolver” a crise não é muito diferente daquela que Robison e outros fizeram: colocando na conta do trabalhador uma crise que foram os governos em conluio com os empresários que criaram. As isenções à bilionária rede Guararapes, do escravista Flavio Rocha, são somente um exemplo.

Por isso, esses servidores da saúde decidiram em assembleia entrar em greve por tempo indeterminado, começando nesta terça-feira, 5. Os hospitais públicos, como o Walfredo Gurgel, um dos maiores do Rio Grande do Norte e que atende não somente a população da capital, mas das cidades do interior, tem deixado cada vez mais pacientes em macas amontoadas nos corredores, faltado com insumos e medicamentos, e deixado filas com mais de 1,3 mil pacientes que necessitam passar por um procedimento cirúrgico.

O Esquerda Diário esteve presente e expressou solidariedade à greve e ao ato. Conversamos com João Assunção, trabalhador do Walfredo Gurgel e perseguido político no Rio Grande do Norte, preso injustamente no ano passado quando participava da greve dos servidores da saúde, DETRAN e UERN. Assista no vídeo a seguir:

Essa greve se coloca em meio a uma situação de “lua de mel” para o governo Bolsonaro e os capitalistas, que tem aproveitado para avançar com ataques profundos contra os direitos dos trabalhadores para salvar os lucros imperialistas no país.

Aprovando uma cruel Reforma da Previdência e facilitando a entrada da Reforma Trabalhista em grandes indústrias, como a GM, Bolsonaro tem o objetivo de consolidar uma grande ofensiva golpista, patrocinada pelo autoritarismo do judiciário, sob tutela das forças armadas, que aprofunde a desmoralização dos trabalhadores para atacar as suas forças de organização (sindicatos, movimentos sociais, partidos, etc). A sua empreitada internacionalista contra o “socialismo” não tem outro objetivo que não esse.

No RN isso se expressa com esses ataques ao funcionalismo em benefício dos ajustes fiscais (para saldar a dívida com “fornecedores” e bancos), além de defender privatizações do petróleo como promessa de pagamento dos salários. Se comprometendo a seguir religiosamente as regras do Plano de Recuperação Fiscal do governo Temer, ou seja, não rompendo com o principal artifício usado hoje para atacar os trabalhadores, Fátima poderá atrasar novamente os salários, o que caso não seja suficiente poderá se reverter em demissões, como vem acontecido no Rio de Janeiro desde que se assinou esse plano lá.

Por isso, é fundamental que a CSP-Conlutas, que dirige o sindicato da saúde, exija que a CUT rompa com a sua estratégia de dividir as categorias, como os professores, garantindo certa paz ao governo Fátima.

Frente aos grandes ataques do governo Bolsonaro, essa entidade deveria cumprir um papel de desmascarar a traição que as centrais patronais e petistas estão impondo aos trabalhadores, que marcam reunião atrás de outra e organizam espaços de debate sem construção real em cada local de trabalho, como parte de um plano de lutas.

Pode te interessar: Que a Conlutas e a Intersindical convoquem um encontro operário para organizar a luta contra a GM e as reformas




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