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ELEIÇÕES RIO DE JANEIRO

Em entrevista Freixo reafirma que poupará empresários da saúde e do transporte

Marcelo Freixo concedeu uma longa entrevista ao importante jornal paulista o Estado de São Paulo, nela aprofundou uma linha de conciliação com os empresários e até mesmo com o PMDB que tem marcado essa reta final da campanha.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

segunda-feira 17 de outubro| Edição do dia

O Esquerda Diário frente as eleições no Rio de Janeiro vem enfrentando o candidato da direita e dos golpistas representado por Crivella (como pode-se nesta matéria, e neste vídeo), dialogando com os milhares de jovens e trabalhadores que votaram e votarão em Marcelo Freixo do PSOL para construir uma verdadeira força anticapitalista no Rio de Janeiro que dê respostas de fundo aos grandes problemas da população.

Com este espírito debatemos com as posições apresentadas por Marcelo Freixo no Estadão de hoje, posições as quais até o momento não foram rebatidas ou clarificadas nas páginas oficiais de Freixo.
Marcelo Freixo, candidato do PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro, concedeu uma longa entrevista ao Estadão (leia aqui) onde reafirmou um curso em sua campanha buscando desconstruir qualquer imagem de radicalidade. Uma entrevista cheia de sinais ao PMDB e sobretudo aos empresários.

Ao mesmo tempo que tem escalado os ataques a Crivella pela ligação com Garotinho e por suas posições homofóbicas e racistas, Freixo busca aparecer como candidato laico, que quer manter o que o PMDB fez de bom e tentando afastar qualquer medo da burguesia à sua candidatura, dá sinais sobretudo aos donos da OSs da Saúde e aos magnatas do transporte. A entrevista tem passagens categóricas da moderação do discurso (e das propostas) para apaziguar os capitalistas..

Sobre o PMDB Freixo afirma “Acho que Eduardo (Paes) acertou em umas coisas, errou em outras.” Refere-se não só ao Parque Madureira, mas também ao BRT, às Clínicas da Família (privatizadas via OSs) e até mesmo a faraônica e privatizante “recuperação da área portuária”. Faz uma reivindicação “a secas” do BRT quando toda a esquerda, até mesmo ele, denunciava como fazia falta era trem e metrô e não um transporte hiperlotado. A privatização da área portuária não aparece como um problema na entrevista. Joga fora o que seu próprio partido falou de cada uma dessas coisas.

Questionado se estatizaria algo, Freixo foi taxativo: “Não é estatizar. Não tem o menor cabimento a prefeitura se tornar dona de linha de ônibus. Mas a prefeitura tem de ter um sistema de regulação.” Curiosamente, em seu próprio programa existia menção a uma empresa municipal de transporte que realizaria o transporte em algumas linhas, copiando a experiência petista em Maricá. Jacob Barata e outros magnatas do transporte devem estar rindo à toa.

Nós que lutamos por uma força anticapitalista no Rio de Janeiro e dialogamos com todos os que vem em Freixo uma esperança diante da direita e da falência do PT, dizemos abertamente que sem enfrentar os lucros e a propriedade dos patrões nossos direitos não serão garantidos. Freixo quer só regulamentar a situação e não acabar com seu domínio de 40% da frota do Rio de Janeiro, utilizado e organizado de acordo com sua sede de lucro. Um programa de esquerda para os transportes deveria partir de posições como as que milhões gritávamos nas ruas em junho de 2013, que para nós do MRT deve se dar em base à estatização sem indenização de todo o transporte público sob controle dos trabalhadores e usuários, que pode ser feito com o não pagamento da dívida desafiando a neoliberal Lei de Responsabilidade Fiscal, que enriquece os empresários às custas dos serviços públicos e contra a qual Freixo não se pronuncia.

Sobre a saúde, na contramão da reivindicação dos trabalhadores do setor e um programa da esquerda, Freixo não pretende acabar com as OSs, quer "auditar os contratos". A citação é bem clara: “Vamos fazer uma avaliação desses contratos, porque são muito caros, muito caros. E não necessariamente melhoraram o serviço para a população. Isso não quer dizer que vamos fechar as OSs.” Desde os anos 80 existe a reivindicação de um sistema único de saúde e o SUS 100% estatal, reivindicação essencial e levantada por amplos setores da esquerda que Freixo mostra não defender, no afã da moderação do discurso para atrair votantes de centro (e inclusive a base do PMDB que vota em Paes) e para tirar o medo dos empresários. Nós do MRT defendemos que não é possível resolver o problema estrutural da saúde sem acabar com as OSs e estatizar todo o sistema de saúde na constituição de um sistema público único, colocando-o sob controle dos trabalhadores e usuários. Não vai haver resposta para a saúde sem atacar os capitalistas.

A crise do PT abre um espaço que pode ser ocupado por uma esquerda revolucionária, operária e socialista, que supere a tragédia petista da conciliação com os empresários e com a direita. O projeto de Freixo infelizmente se restringe a administrar de forma "mais humana" o capitalismo, já que não se propõe a enfrentar a propriedade dos capitalistas. É preciso derrotar a direita. É com esse intuito que acompanhamos as centenas de milhares que votaram e votarão em Freixo, para lutar e construir uma força e um programa anticapitalista, pois com o programa apresentado por Freixo o caminho trilhado será repetir a tragédia petista.




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