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Em discurso odioso, Trump diz que manifestações antirracistas querem "destruir a história dos EUA"

Em discurso feito hoje (04), Trump afirmou estar combatendo um movimento que quer apagar a escravagista história dos Estados Unidos. Referindo-se às manifestações antirracistas no país, o presidente fez uma absurda declaração, reivindicando a história e os valores racistas da sociedade estadunidense .

sábado 4 de julho| Edição do dia

Em um encontro organizado no Monte Rushmore para o dia de ações de Graças, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um absurdo discurso contra as mobilizações antirracistas que acontecem pelo país e que explodiram após o assassinato racista de George Floyd. O presidente também buscou atacar seus oponentes políticos do também imperialista, partido democrata.

Reconhecendo a força das mobilizações antirracistas e o quanto as teme, o presidente buscou atacá-las dizendo que são violentas, que representam “o novo fascismo de extrema-esquerda” e que têm como objeto apagar a racista história dos EUA, de seus fundadores e seus valores. Sem fazer qualquer menção aos catastróficos efeitos sociais da pandemia, que escancaram o racismo estrutural do país à medida que afetam majoritariamente os negros, Trump ainda diz que os Estados Unidos são o país “mais justo e excepcional na Terra”.

As mobilizações antirracistas nos Estados Unidos que surgiram após o assassinato racista de George Floyd, por um policial supremacista, são resultado do racismo estrutural e dos efeitos da crise econômica em curso desde 2008, que estão sendo aprofundados ainda mais com a pandemia. Junto com o Brasil, os Estados Unidos também é um dos países mais afetado pela pandemia. Com quase 2,9 milhões de contaminados e mais de 131,5 mil mortos pelo coronavírus, os trabalhadores do país têm que lidar com a falta de um sistema público de saúde e com a crise econômica que os assola com o crescente desemprego e a precarização do trabalho.

Ao dirigir críticas às mobilizações antirracistas por elas questionarem os valores e a história do país, Trump mostra que reconhece e teme as potencialidades que as manifestações carregam em si. Justamente por isso, eles as ataca, buscando deslegitimar, ao reconhecer que os setores que se levantam hoje, querem mudar os rumos da história racista dos EUA.

Partindo, da proporção que as mobilizações têm tomado e da sede de mudança radical, é possível, com base em um avanço político, que vincule a luta antirracista com a dos trabalhadores, haver um questionamento mais profundo do sistema econômico atual, que destina apenas miséria e opressão aos trabalhadores, sobretudo, com o cenário de depressão econômica, apontado por vários economistas.

Com a possibilidade de reeleição comprometida por conta da nova situação que se abre com as mobilizações antirracistas e os efeitos da pandemia do novo coronavírus, Trump busca, por meio do seu discurso, conectar-se a sua base mais dura que tem, em sua composição, diversos setores racistas. Sem mencionar a pandemia, o presidente ataca exclusivamente as mobilizações antirracistas, colocando-se como uma figura que preza pelos tradicionais valores racistas da sociedade estadunidense.

Nesse marco, a defesa das mobilizações antirracistas cumpre um papel importante, uma vez que mostram uma grande potencialidade para questionar o sistema com um todo. Sendo assim, ao mesmo tempo em que é fundamental a defesa e o fortalecimento delas, é preciso pensar mais estrategicamente na ligação entre elas e o movimento dos trabalhadores, para que não sejam direcionadas para a eleição do partido democrata, que também foi responsável pelo assassinato da juventude negra no país e que não apresenta uma saída efetiva ao racismo estrural.

Essa reflexão estratégica passa por questionar o regime bipartidário dos partidos imperialistas nos EUA, apresentando como necessidade a construção de um terceiro partido, que se apresente como uma alternativa revolucionária e que, efetivamente, responda aos problemas estruturais gerados pelo capitalismo. Tudo isso, ao passo em que é preciso batalhar pela aliança da luta antirracista com a dos trabalhadores e, também, pela criação de organismos de auto-organização destes em seus locais de trabalho, de modo que esses sujeitos tomem em suas mãos os rumos da das suas histórias.




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