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INDÚSTRIA PAULISTA

Em dezembro, 34.5 mil trabalhadores da indústria paulista são demitidos

Patrões da indústria paulista demitiram quase 35 mil trabalhadores somente em dezembro de 2018, fechando o ano com 38,5 mil demitidos no estado em meio à crise e um desemprego profundo.

sexta-feira 18 de janeiro| Edição do dia

Conforme dados disponibilizados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao longo do ano passado, o setor industrial de São Paulo encerrou 38,5 mil postos de trabalho, após já ter fechado 34 mil vagas em 2017. O movimento refletiu principalmente o expressivo número de demissões em dezembro, quando 34,5 mil trabalhadores perderam o emprego.

"Fechamos dentro do previsto, nada diferente do que havíamos analisado ao longo do ano. Mas agora temos otimismo. A confiança do empresário aumentou muito", afirmou o 2º vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz, em nota. "Possivelmente, em 2019 vamos ampliar em 10 mil os postos de trabalho na indústria paulista. Nas nossas previsões, o crescimento do PIB deve ser de 2,5%. A perspectiva do empresário é de confiança, de um ano melhor", estimou.

Há de suspeitar o súbito otimismo desses patrões, que esperam maiores lucros com o governo Bolsonaro, vide a aprovação de ataques profundos aos direitos dos trabalhadores, como a Reforma da Previdência, que aliviará para os patrões explorarem literalmente até a morte os trabalhadores. Além disso, esperam dele um governo que imponha uma repressão aos sindicatos e outras formas de organização dos trabalhadores, de modo que esse ataque junto a já aprovada Reforma Trabalhista, possa ser de fato implementada e fure a resistência dos trabalhadores.

Frente a essas ameaças, tamanhas demissões e uma Reforma da Previdência vindo para arrasar com a vida dos trabalhadores, estes se veem isolados nas suas distintas categorias, entre efetivos e terceirizados e pressionados por todo tipo de ideologia machista e racista.

As centrais sindicais que dirigem grandes sindicatos da região e por todo o país, como CUT e CTB, cumprem um papel semelhante às patronais Força Sindical e a bolsonarista UGT, de garantir essa separação, sem se enfrentar com essas demissões e deixando de preparar um plano de lutas para que os trabalhadores extravasem seu rechaço à reforma da Previdência.

Nós do Esquerda Diário, junto ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), colocaremos toda nossa força em convocar qualquer ação unificada, junto à defesa de um programa anticapitalista que se proponha a avançar contra essa classe de parasitas que quer nos fazer pagar pela crise, como mostram as demissões e a Reforma da Previdência.

Cada sindicato e entidade estudantil que não quer ficar passivo esperando as entidades nacionais tomarem a iniciativa, especialmente os setores que se colocam à esquerda do PT, como o PSOL, têm um papel a cumprir nesse sentido, batalhando nas entidades por essa perspectiva anti-burocrática, para construir um plano efetivo para unificar e massificar a luta da classe trabalhadora.

Mais detalhes sobre o desemprego industrial em São Paulo e região

De 36 diretorias regionais, foi verificada elevação no emprego em 11, com destaque para Mogi das Cruzes (5,02%), influenciada por produtos têxteis (10,80%) e produtos minerais não-metálicos (8,28%); Taubaté (2,67%), por veículos automotores e autopeças (8,54%) e produtos de borracha e plástico (13,32%); Araraquara (2,27%), por produtos de borracha e plástico (9,89%) e outros equipamentos de transportes (7,06%).

Já entre as 25 regionais com queda no emprego, os movimentos mais expressivos ocorreram em Jaú (-25,34%), por artefatos de couro e calçados (-70,66%) e produtos alimentícios (-5,50%); Santa Bárbara D’Oeste (-17,93%), por produtos de metal (-55,67%) e produtos têxteis (-12,56%); Americana (-13,86%), por produtos têxteis (-25,48%) e máquinas e equipamentos (-8,10%).




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