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Em defesa do pensamento crítico: Professora sofre perseguição e escola se abstém diante do caso

Professora da ETEC Franco da Rocha descobre que alunos alinhados com discurso de extrema-direita planejavam atentar contra sua vida. A escola se eximiu do caso. Não podemos permitir que esses profissionais sejam ameaçados e perseguidos em seu local de trabalho. Pela defesa da professora Mara, de todos os trabalhadores e lutadores da categoria.

terça-feira 8 de outubro| Edição do dia

Na Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, a professora Mara Cristina Gonçalves da Silva é um dos mais antigos membros do corpo de professores, contando com 16 anos de trabalho nas frentes de História e Sociologia da instituição. Participante desde a juventude da luta pelas liberdades democráticas e pelos direitos da juventude e dos trabalhadores, sua sala de aula conta com a presença de reflexões críticas embasadas por materiais didáticos e paradidáticos que reforçam o aprendizado dos alunos para que esses sejam sujeitos de suas próprias produções escolares.

Esse trabalho minucioso, que se expande para além da aula, despertou o ódio de um grupo de alunos perpassados pelos discursos de extrema direita contra o pensamento crítico nas escolas.

Além do desprezo pelas escolhas metodológicas da professora que demonstram em seu discurso, os alunos se sentem à vontade para tecerem comentários grotescos sobre seu porte físico, sua capacidade intelectual e sua autonomia em sala de aula, todas as falas sempre atravessadas pelo desejo de torturar, ferir e matar a docente que leciona para eles. Chegam a mencionar também um outro aluno, denominado como "o surdo", que mereceria ser torturado e morto junto com a professora.

Os alunos foram expostos em abril de 2019, por meio de prints retirados de um grupo de mensagens por aplicativo que existia há mais de um ano e contava com a participação de muitos alunos do segundo ano do Ensino Médio.

Frente a seriedade das ameaças, a professora entrou em contato com a diretoria da escola, que segundo nota da própria instituição no Facebook, optou por uma conversa com os alunos e com a docente, nada mais. Por meio de sua omissão, a Etec de Franco da Rocha demonstra sua condescendência com o caso de opressão contra uma de suas professoras e vem a público para se colocar isenta de tomar as medidas cabíveis para o caso.

Não à toa, esses jovens se sentem à vontade de compartilhar seus devaneios violentos, suas ameaças e xingamentos com os colegas. No marco do avanço nacional da extrema direita, apoiado em figuras retrógradas como o presidente Bolsonaro, o Ministro da Educação e outros políticos do PSL/MBL, os alunos estão sendo incitados a vigiar seus professores e fazer denúncias, com o intuito de que sofram ampla perseguição e sejam punidos por englobar o pensamento crítico em sala de aula.

Embora os alunos tenham escolhido, neste caso, agitar a violência feita pelas "próprias mãos", não podemos desvincular as ameaças e todo o conteúdo exposto dessa influência, que vem transformando as escolas em lugares de perigo para vida e para o trabalho dos docentes como a professora Mara.

Devemos lembrar também que é a mesma extrema direita que implantou uma Reforma Trabalhista mais dura aos professores, incluindo trabalho aos domingos, e pretende aplicar modelos de currículos que debilitam o pensamento crítico da juventude, com o intuito de que o ensino forme apenas mão de obra.

Frente a esse cenário, a organização Liberdade e Luta, organizou uma campanha nacional de moção em defesa da professora e exigindo que a escola faça a transferência compulsória dos responsáveis pelas ameaças. A moção defende também que todos os alunos do grupo sejam acompanhados pela escola, uma vez que a vida da comunidade escolar foi profundamente afetada pelo conteúdo violento da discussão entre eles.

Nós, do Esquerda Diário, endossamos a denúncia contra as ameças desferidas contra a professora, e contra a omissão da Escola Técnica, entendendo que é preciso defender sobretudo a vida da professora Mara, que se encontra em risco. Além disso, nos colocamos à disposição de lutar ao lado dos professores pelo direito ao pensamento crítico em sala de aula de forma permanente. É um absurdo que nossos educadores sejam xingados e ameaçados por essa extrema direita nojenta, que quer o fim da educação de qualidade em nosso país, prometendo a vida dos nossos jovens como simples mão de obra acrítica aos empresários.

A professora Mara e todos os lutadores sempre estarão presentes em nossa luta!

Veja aqui a moção da campanha em defesa da professora Mara: http://liberdadeeluta.org/node/510
Veja aqui a nota da Etec Doutor Emílio Hernandes Aguilar: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2870376296330661&id=338488832852766




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