Política

CORONAVÍRUS

Em coletiva, secretários da Saúde afirmam que não farão testes do coronavírus em massa

Secretários confirmam que para a medicina capitalista, a diferença entre a vida e a morte é quando a pessoa pode pagar pela assistência.

sábado 21 de março| Edição do dia

Os médicos capitalistas de Mandetta e Bolsonaro, na figurados secretários da Saúde, afirmam que vão encomendar testes de empresas privadas, mas não tem política de massificação dos testes na população.

"As pessoas não poderão ficar esperando do Poder público que ele tome ações para que impeça a doença" é a primeira frase do Secretário Executivo João Gabbardo dos Reis em suas considerações finais durante a coletiva de imprensa dada hoje (21). "Poderá faltar máscara? Poderá faltar mascará. Poderá faltar equipamentos de respiração? Poderá (...)" "Todos os países vão ter problema. Nenhum país consegue passar por essa epidemia sem dificuldades, e o Brasil não é diferente." (...) Estas são algumas das coisas ditas nas considerações finais do Secretário João Gabbardo.

Fábricas poderiam ser reabertas e empresas poderiam ser estatizadas para produzir o que é preciso para enfrentar a pandemia. Mas isso não seria lucrativo para as empresas farmacêuticas e os planos de saúde financiadores de Mandetta.

A entrevista coletiva, sem a presença do ministro Mandetta e sem Bolsonaro e seu time de ministros provendo cenas bizarras como na última coletiva, esta teve apenas os dois secretários, Wanderson Kleber da Secretaria de Vigilância em Saúde, e João Gabbardo dos Reis da Secretaria Executiva . A coletiva pôde ser assistida na Globonews, que abriu seu sinal, e em outros canais.

1.128 casos confirmados e 18 mortes pelo coronavírus. Apesar disso, apenas 540 leitos estariam sendo distribuídos na primeira licitação feita para o Sistema Único de Saúde, para todo o país. Uma nova licitação, de 2 mil novos leitos, será feita, segundo o secretário, para ficar em uma "reserva técnica" que o ministério vai ainda avaliar aonde abrir, enquanto que os anteriores teria sido distribuído pelo conselho das pastas de Saúde dos Estados. No Rio de Janeiro, os leitos da primeira licitação ainda não foram instalados porque, segundo o secretário, a pasta da Saúde do Rio teria pedido uma mudança do local de instalação, atrasando ela para segunda ou terça-feira.

Nas perguntas, o mais importante: a subestimação por parte dos secretários da subnotificação. Perguntado pelos jornalistas, os secretários confirmaram que há subnotificação, mas culparam o covid-19 ao invés de assumir que há poucos testes. Como o coronavírus tem muitos casos assintomáticos (que não apresentam sintomas), estipulando-se uma média de que 80% dos casos ocorram desta maneira, então os secretários afirmaram que "haverá sim a subnotificação" como se isto fosse natural do próprio vírus.

Pressionados ainda pelas perguntas, os secretários então disseram que estão preparando a compra de 5 à 10 milhões de testes, cifra que não dá metade da população de São Paulo. Não disseram a data da compra, e, em outra pergunta, deixaram dica de que sequer é real este número, pois o Secretário Wanderson Kleber disse que acha que estes testes serão doados por grandes empresas, dentre elas a Vale do Rio Doce. Mas se nem o secretário sabe quem (supostamente) vai pagar pelos Kits, será que era verdade o que disse anteriormente?

São 2 os tipos de testes, estes que estão sendo encomendados de empresas privadas que querem lucrar horrores com a doença e os que já estão sendo produzidos pela FIOCRUZ. Segundo os secretários, a diferença é que o da FIOCRUZ necessita do acompanhamento de um técnico, mas saem com resultado na hora.

Enquanto falavam com naturalidade da possibilidade de morrerem muitas pessoas, os secretários elogiavam as grandes empresas privadas, como a Vale, como se estas fossem "muito boas" com o povo por supostamente fornecer apoio ao ministério da Saúde. Mas a realidade é que este Ministério é totalmente ligado aos planos de saúde, responsável por seguir no projeto de sucateamento do SUS, transformando saúde em mercadoria à custa de milhares de vidas.

Neste mesmo tom é que os secretários afirmaram até mesmo que não "gastariam estoques" de máscara e de testes com quem não tem sintoma da doença. Se for assim, vão manter os testes para os poucos que podem pagar, indo na contramão das recomendações de fazer testes em massa, ou atrasando estes testes até o momento crítico, para que até lá as empresas possam comercializá-lo à custa da vida de muitas pessoas.

É preciso iniciar já testes em massa! As empresas capitalistas não colaboram com a Saúde, elas são parte do problema já que as empresas farmacêuticas e dos planos de saúde lucram com o sucateamento do SUS e a exclusão dos pobres ao acesso à saúde, enquanto que as empresas dos outros ramos, por sua vez, obrigam os trabalhadores à ir trabalhar mesmo com a necessidade das quarentenas.

É preciso tomar o controle da produção para, ao lado dos profissionais da saúde e da ciência, produzir para salvar vidas, os kits, os respiradores, os hospitais e todo o resto. Seria necessário um grande esforço nacional para salvar as vidas que a medicina capitalista dos Secretários de Mandetta condenam à morte para seguir fazendo com que a saúde seja um ramo lucrativo para os empresários.




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