Política

Em carta a senadores, Dilma defende plebiscito para novas eleições

Barbara Torre

Executiva Nacional do MML e Representante dos Trabalhadores do HU na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

segunda-feira 15 de agosto| Edição do dia

Há mais de uma semana, Dilma elabora e discute com membros de seu partido e da base aliada uma carta que será apresentada aos 81 senadores como parte de sua defesa no julgamento final do impeachment que ocorre hoje (16/08). Nessa carta, Dilma denomina o impeachment como golpe e fará a defesa da democracia e da proposta de um plebiscito para novas eleições.

No atual cenário, onde a capacidade de Temer em aplicar ajustes já começa a ser questionada pelo PSDB e ocupa centralidade nos editoriais de domingo dos grandes jornais burgueses, a defesa de novas eleições apenas serve para legitimar novamente o regime abrindo espaço para um novo pacto de governabilidade, com grande peso da direita tradicional, que aplicará mais ataques aos trabalhadores e à juventude, mais privatizações e reformas. Esta não é uma alternativa para os trabalhadores.

Dilma e Haddad vacilaram em chamar o impeachment de golpe. Assim como, o PT e a CUT vacilam em construir uma grande mobilização dos trabalhadores, da juventude, em aliança com os movimentos de bairro e populares, para barrar a reforma da previdência, as demissões, varrer do Congresso figuras como Feliciano que persegue mulheres e LGBT e recentemente foi acusado de estupro.

Já denunciamos aqui o PT, para governar, se fundiu ao fisiologismo do parlamento, assumindo os métodos da corrupção e alianças com os setores mais reacionários, fortalecendo tais setores e utilizando seu braço sindical, a CUT, para retirar direitos dos trabalhadores e atuar como freio de mobilizações. Agora, na busca pelos votos dos senadores à favor da Dilma, mais uma vez o PT acena para a direita com a proposta de plebiscito e dedica especial esforço à ganhar apoio do senador Pedro Chaves do PSC, mesmo partido de Feliciano.

Todas centrais sindicais estão chamando um ato para hoje, mas as maiores centrais do país, CUT e CTB, até agora não organizaram medidas de resistência contra o projeto escola sem partido, o aumento da idade de aposentadoria, a repressão aos estudantes e professores, o PL 257 que ataca o funcionalismo público, os cortes na saúde e o Projeto de Plano de Saúde Acessível e um longo etc de ataques.

Ontem, a montadora Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (ABC paulista) paralisou suas atividades por tempo indeterminado colocando todos os 9500 trabalhadores em licença remunerada. A empresa já sinalizou a intenção de demitir quando diz que há um excedente de mão de obra por causa da queda do mercado.

A defesa da manutenção do emprego desses trabalhadores é essencial e a CUT que dirige esse sindicato tem a responsabilidade de organizar uma forte mobilização, com assembleias de base, cortes de rua, medidas de solidariedade de outras fábricas e categorias. Entretanto, Moisés Selerges, diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC já anuncia o papel traidor que terá a burocracia cutista “A empresa alega excesso de mão de obra por causa da queda do mercado, o que aconteceu de fato e de forma significativa. Mas acreditamos que tem meios que evitem as demissões. Você pode fazer um Programa de Proteção ao Emprego (PPE) ou o lay-off”.

Os trabalhadores nada podem esperar do PT. E é preciso exigir que a CUT rompa com a política do PT e organize desde já a luta em defesa dos empregos na Mercedes do ABC e um plano de luta contra os ataques e contra o governo Temer.




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