Política

ATAQUE A CIÊNCIA

Em ataque histórico, Cnpq não dará bolsas de iniciação científica para Ciências Humanas

Medida que ataca todo o tipo de conhecimento sobre a sociedade prevê que só receberão bolsas as áreas que tenham relação com Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Imagem: Sérgio Lima/Poder360

A medida publicada pelo Cnpq exclui que qualquer uma das 25.000 bolsas de iniciação científica previstas para Agosto de 2020 a Julho de 2021, através do PIBIC, sejam preenchidas pelas ciências humanas. Se trata de um grande ataque que quer atingir o coração das pesquisas nas ciências humanas, com o fim de frear qualquer debate sério sobre a realidade social no país.

Para receber uma bolsa PIBIC, a partir da medida, terá que ser alguma das areas de "tecnologia prioritária" do MCTIC. São eles, as Tecnologias para Qualidade de Vida, Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável, Tecnologias de Produção, Tecnologias Habilitadoras e Tecnologias Estratégicas.

A conclusão da medida, que foi publicada no portal de notícias do Cnpq, trata de apontar, se não estava entendido antes, que somente serão tolerados os projetos de ciencias humanas que contribuam diretamente para o desenvolvimento das áreas prioritárias de tecnologia:

"São também considerados prioritários, diante de sua característica essencial e transversal, os projetos de pesquisa básica, humanidades e ciências sociais que contribuam, em algum grau, para o desenvolvimento das Áreas de Tecnologias Prioritárias do MCTIC e, portanto, são considerados compatíveis com o requisito de aderência solicitado."

Se trata de um ataque brutal a ciência brasileira. A medida carrega uma profunda concepção tecnicista e exclui qualquer possibilidade reflexão (não só) crítica acerca da sociedade nas universidades brasileiras. Em suma, uma medida que quer calar quem pensa dentro do país.

As entidades estudantis e sindicatos devem se contrapor frontalmente a essa medida que ameça colocar em xeque tudo o que é produzido na academia brasileira, em nome de um ideal obscurantista de um olavista como Weintraub.




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