Política

BONAPARTISMO JUDICIÁRIO

Em acordo com corruptos Moro separa caixa 2 do pacote que libera a polícia para matar

Confrontado pela casta política, Moro se disse sensível à suas demandas e recuou em relação às alterações no combate ao caixa 2 no seu pacote anticrime, fatiando o projeto em duas partes.

terça-feira 19 de fevereiro| Edição do dia

O paladino do combate a corrupção, o ex-juiz Sergio Moro, mais uma vez demonstrou a seletividade de seu discurso. Seu chamado pacote anticrime, que trazia um conjunto de 14 medidas de alterações do Código Penal, Processual e Eleitoral, alegando o endurecimento do combate a corrupção e o crime organizado, após reclamações da casta política foi fatiado, deixando para depois as alterações referentes ao combate ao caixa 2.

“Inicialmente, iríamos apresentar um único projeto. Vieram reclamações. Alguns políticos se sentiram incomodados de isso (crime de caixa dois) ser tratado junto com corrupção e crime organizado. Fomos sensíveis. Colocamos separado, mas será apresentado junto (com o pacote). O governo está atendendo reclamações que são razoáveis”, disse o superministro de Jair Bolsonaro (PSL).

O superministro já havia demonstrado sua conivência em relação ao caixa 2 com seu silêncio diante das denúncias de manipulação das eleições por parte de empresas que compraram pacotes de distribuição de mensagens pelo aplicativo Whatsapp e disparam milhares de mensagens em prol da campanha de Bolsonaro. Ou pior ainda, dando salvo-conduto ao réu confesso e colega de governo, Onyx Lorenzoni, uma vez que ele pediu perdão. Isso tudo depois de declarar em 2017 que "Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia".

Bem diferente é o tratamento de Moro e seu pacote anticrime em relação a juventude negra. Diferente dos políticos com quem é conivente, passando a mão na cabeça deles, com a juventude negra Moro aperta ainda mais o gatilho fácil da polícia mais assassina do mundo, dando licença para policia matar. Em nome de “excesso decorrente de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”, policiais em serviço poderão matar civis e não receber nenhuma punição.

A sensibilidade de Moro para a casta política e sua dureza em relação a polícia deixa claro como sua atuação, assim como de todo o processo da Lava Jato, está a serviço do endurecimento do regime contra a classe trabalhadora e o povo pobre, e que seu discurso anti-corrupção não passa de fachada.




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