Política

GOVERNO BOLSONARO

Em aceno ao Centrão, Bolsonaro escolhe Ricardo Barros como líder do governo

Como parte de sua política de se aproximar do Centrão para ampliar a estabilidade em seu governo, Bolsonaro escolheu o deputado Ricardo Barros, do PP, para ser o líder do Governo na Câmara, no lugar de Vitor Hugo, do PSL.

sexta-feira 14 de agosto| Edição do dia

Com esta medida, Bolsonaro se afasta da ala mais ideológica e se aproxima mais do Centrão. Barros foi ministro da saúde no governo de Temer, e também líder do governo na Câmara nos governos de Lula e de FHC.

Neste momento, o governo Bolsonaro passa por um momento de instabilidade. Ele tem conseguido se fortalecer, no último período, através do auxílio-emergencial, conseguindo recompor sua base de apoio entre setores mais precarizados. A partir disso, no entanto, as discussões sobre a criação do Renda Brasil ou de programas de renda básica tem entrado em choque com os princípios da responsabilidade fiscal.

Nos últimos dias, importantes secretários do Ministério da Economia, como Salim Mattar, Secretário de Desestatização, se demitiram, e Rodrigo Maia afirmou que é contrário a extensão do estado de calamidade de pública até 2021. Ontem, Bolsonaro veio a público junto com Davi Alcolumbre e ministros para defender o teto de gastos e a responsabilidade fiscal.

São pressões por parte do capital financeiro, insatisfeito com o ritmo das reformas, como a administrativa, e das privatizações, que até mesmo o PSDB está tentando capitalizar com o seu tweet comparando a quantidade de privatizações do governo FHC e as de Bolsonaro até agora.

No ano em que o déficit primário deve ultrapassar R$ 800 bilhões, segundo estimativas do mercado, os capitalistas pressionam para que a responsabilidade fiscal, o que significa a responsabilidade com os lucros dos capitalistas, volte a ser o centro da política econômica do governo. Se o governo quer gastar de um lado, como Bolsonaro quer fazer com o Renda Brasil, que é chave para seus planos políticos, terá que cortar do outro, como remarcou Rodrigo Maia. Por isso, o presidente defendeu a PEC do Pacto Federativo, ao lado de Alcolumbre, e Mourão, o vice-presidente, disse que a Reforma Administrativa já está pronta para ser mandada para a Câmara.

Ao mesmo tempo, na Câmara, Bolsonaro tem se apoiado cada vez mais no Centrão como ponto de sustentação para seu governo. A escolha de Barros, nesse sentido, fortalece este giro, e diminui o peso da ala ideológica. Assim, se aproxima se um “presidencialismo de coalizão”, mesmo que não possa ser caracterizado como tal.

E no atual momento, esse apoio na Câmara será muito importante para Bolsonaro. Até o final deste mês, será enviada a proposta orçamentária, que será um momento fundamental deste cabo de guerra. Através de Barros, Bolsonaro busca conseguir aprovar um orçamento para 2021 que seja mais favorável para ele.

Esse alinhamento do Congresso e de Maia ao executivo pela agenda de ajuste fiscal, privatizações e ataques mostram como acreditar que esses possam ser aliados na luta contra Bolsonaro é um imenso erro. A estratégia do impeachment, além de significar na prática Mourão presidente, como também é confiar no congresso para derrubar Bolsonaro, uma estratégia que só pavimenta a derrota.

Por isso nós do MRT levantamos a importância de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que poderia botar abaixo esse sistema podre da República de 1988 e botar em questão pontos verdadeiramente importantes do sistema capitalista brasileiro, como a dívida pública, que gera todo esse sistema ao redor da responsabilidade fiscal, ou as privatizações feitas para beneficiar o grande capital. Essa luta só pode ser levada a frente por uma luta da classe trabalhadora de maneira independente da burguesia e seus partidos.




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