CORONAVÍRUS | NEGROS E NEGRAS

Em São Paulo, negros tem até 62% mais chance de morte por coronavírus, segundo estudo

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Segundo dados elaborados pelo Observatório Covid-19 e pela Prefeitura de São Paulo, pretos têm até 62% mais chance de morte que brancos por coronavírus, e pardos, até 23%.

Com os dados elaborados pelo G1, nota-se que, apesar de o número absoluto de mortos estar concentrado entre os brancos, a taxa de mortalidade é percentualmente maior entre os pretos (15,64) e pardos (11,88).


Mortalidade por raça/cor em SP — Foto: Carolina Dantas/G1

De acordo com os dados apresentados até o dia 24 de abril, há outro fator observado sobre as taxas de mortalidade na cidade de São Paulo: os bairros mais afetados. Numa escala de 100 mil habitantes, os mais atingidos com as taxas de mortalidade, suspeita ou confirmada por Covid-19, são: Água Rasa e Pari (ambos na Zona Leste), com 47,2 ; Artur Alvim (Zona Leste), com 44,8; Limão (Zona Norte), com 42,7; e Alto de Pinheiros (Zona Oeste) com 41,5 mortes, ou seja, todos os bairros da periferia de São Paulo.

Brasilândia, na Zona Norte, é o bairro com maior aumento absoluto de mortos na cidade (com dados até o dia 24/4), com crescimento de 39% dos óbitos em apenas 7 dias, indo de 54 para 81, e tem uma taxa de 28,7 mortes no grupo de 100 mil habitantes.


Mapa de mortes por distrito divulgado pela prefeitura com as mortes confirmadas ou suspeitas de coronavírus até o dia 24 de abril. — Foto: Reprodução/Twitter

Os dados escancaram que os fatores de raça e classe estão diretamente relacionados à mortalidade por Covid-19. A maioria das negras e negros estão nos postos de trabalho mais precarizados, com os piores salários e nas piores condições de moradia. Muitas e muitos estão sendo obrigados a trabalhar durante a pandemia sem equipamentos de segurança e de higiene.

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Tudo isso mostra a face mais cruel do capitalismo, com as vidas de negras e negros, há séculos, sendo descartadas, enquanto Bolsonaro, ao ser indagado sobre as mortes no país, simplesmente responde: “E daí?”.




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